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O Robin Hood de Ridley Scott

Luiz Zanin Oricchio

13 de maio de 2010 | 09h42

 

Robin Hood, o “bom ladrão”, é um mito. E, como mito, comporta variações. Daí a inutilidade de cobrar veracidade histórica às suas inúmeras versões. Para ser verossimilhante, o mito tem apenas de ser crível. E assim é com a interpretação de Ridley Scott, que escolhe um recorte original, mostrando o personagem antes de se tornar Robin Hood, isto é, antes das escaramuças na floresta de Nottingan, os duelos e amizade com Frei Tuck, etc, antes de todas essas aventuras que povoram nossa infância em livros, seriados e outros filmes. Robin é um personagem universal, comum a nós todos. É, mesmo que pairem dúvidas sobre sua existência real, um signo – o do “bandido social” segundo a definição do historiador Eric Hobsbawm, categoria que abrange de Lampião a Salvatore Giuliano.

Não sabemos se Scott leu Bandidos, o livro de Hobsbawm. Em todo caso, o pano de fundo histórico se recorta sob esse enfoque. O filme abre com isso: numa época de injustiça profunda, as leis têm de ser transgredidas para que uma nova lei, mais justa, possa surgir. Sobre esse tema, vemos Robin lutar  nas Cruzadas, testemunhar a morte do rei Ricardo Coração de Leão e voltar a um reino marcado pelo desgoverno. Final do século 12, 100 anos depois da Conquista Normanda, com o país vivendo à beira do caos, com fome e impostos extorsivos. Com a morte de Ricardo, assume John, cobiçoso e despreparado. Ele e Robin serão oponentes.

Nesse ambiente histórico, temos um Robin (Russell Crowe) heroico porém humano. Sereno em sua virilidade, não fica, porém indiferente aos encantos de Marian (Cate Blanchett), o que é bem compreensivel. Scott, conforme seu estilo e exigências da produção, filma muitas batalhas e duelos. É um filme de visual denso, envolvente. Mas não perde de vista a linha histórica que resolveu seguir. O seu Robin Hood é um agente social, que visa a moderação do poder real, então dito de direito divino. É um preâmbulo do que de fato aconteceu na Inglaterra, com um fato notável para a humanidade: a assinatura da Magna Carta em 1215. Através dela, o poder real deixa de ser absoluto.

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