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O resto é silêncio

Luiz Zanin Oricchio

21 de agosto de 2008 | 17h39

Encontrei hoje sobre a minha mesa a monumental História da Literatura Ocidental, de Otto Maria Carpeaux. Quatro sólidos volumes de fluência e erudição. Há muitos anos, li algumas partes dessa obra. Que é, talvez, para ser saboreada assim mesmo, aos pouquinhos. Mas ao vê-la agora, em edição comemorativa dos seus cinquenta anos, publicada pelas Edições do Senado Federal, me deu vontade de lê-la do princípio ao fim.

Quem me dera ter esse tempo…

Mas, enfim, não me furtei à curiosidade de ver como terminava essa obra caudalosa. E encontrei esse precioso parágrafo final, que se refere ao concretismo, surgido por aquela época (1958):

“Não se pode prever se se trata, no caso da poesia concreta, de tendência de crescimento ou de mero episódio. Em todo caso, é ela mais um sintoma do esgotamento do conceito tradicional de literatura. O precursos dessa tendência antiliterária foi Rimbaud, que com 19 anos de idade deixou de escrever versos; e a testemunha principal é hoje Samuel Beckett, cuja última palavra é o silêncio.”

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