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O repouso do crítico

Luiz Zanin Oricchio

03 de dezembro de 2006 | 20h56

O que faz um crítico de cinema em sua folga? Vai ao cinema, claro. Assim como jogadores profissionais batem uma bolinha em momentos de descanso, nós também aproveitamos o ócio para fazer a mesma coisa a que estamos habituados nos dias úteis. No caso, aproveitei o fim de semana para conferir dois filmes que não havia visto pois estava em Brasília: o nacional 1972, de José Emilio Rondeau e o mexicano O Labirinto do Fauno, de Guillermo Del Toro. O título do filme de Rondeau se refere ao ano que evoca, tempo de ditadura, mas também da juventude que apenas procura se divertir e tocar seu rock’in’roll. É tudo tão inocente que chega a dar dó de falar mal dele. Mas o fato é que o filme não envolve com sua historinha de amor entre o candidato a guitarrista de uma banda e a jovem jornalista. Fora eu e minha mulher havia mais quatro pessoas na sala.

Já A Tarde do Fauno parece uma super-produção, com efeitos especiais bem interessantes e uma proposta ousada – o diálogo entre o universo maravilhoso das fadas e a dura realidade da Guerra Civil Espanhola. Muita gente acha que o encontro entre esses mundos distantes recebe uma costura muito bem acabada de Del Toro, que é de fato talentoso. Não é minha opinião. Vi o filme bem, sem tédio, mas estou longe de julgá-lo uma obra fora de série, ou mesmo boa. Tem momentos legais, mas sabe aquele tipo de filme que você deve admitir que é bem-feito, mas mesmo assim não te toca? É o caso. Muita gente pensa diferente de mim.

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