As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

O Palmeiras derreteu

Luiz Zanin Oricchio

01 de maio de 2008 | 19h58

RECIFE – Como ontem estava em Recife para o festival de cinema (Cine PE), aproveitei a oportunidade para conhecer a Ilha do Retiro, estádio do Sport, que jogava com o Palmeiras. Fomos num grupo grande de amigos, capitaneado pelo Alfredo Bertini, que é diretor do festival e também dirigente do Sport. Gostei do estádio, e muito mais da torcida, aguerrida, festiva, que apóia o time o tempo todo e vaia o adversário com fervor quando este tem a bola.

Essa pressão contínua – e o calor africano que lá fazia – podem ter contribuído para o que interpretei como falta de concentração do Palmeiras com o jogo. O Sport começou pressionando e logo fez o seu. Mas quase em seguida o Palmeiras empatou e começou a impor o toque de bola a um adversário que parecia então desnorteado. Mas essa situação logo passou e os outros gols do Sport foram surgindo. Sem tirar o mérito do ataque do Sport (e, em especial, de Romerito, que fez três) a zaga do Palestra parecia meio desligada. Quando deu pela coisa já perdia de três. E nem mesmo o fato de ter ficado em superioridade numérica com a expulsão de um jogador do Sport adiantou alguma coisa para o Palmeiras. Aliás, tamanha era a superioridade do Sport em termos de posse de bola que parecia que jogava com 11 e o Palmeiras com 10. O quarto gol, numa bela trama em contra-ataque, foi o fim de tudo. A torcida cantava, dançava, gritava olé.

Na saída o estádio, havia gente dançando frevo. Uma bonita festa. A cereja no bolo: Ariano Suassuna estava no campo, torcendo pelo Sport. Lépido, aos 81 anos, saiu feliz e cumprimentando a todos.

Voltei hoje para São Paulo e, por coincidência, peguei o mesmo avião da delegação palmeirense. Não pareciam nem um pouco abalados. Brincavam uns com os outros. Luxemburgo sentou à minha frente e parecia em paz com a vida. Atendia a todos com gentileza, brincava com as aeromoças, tirava fotos com os fãs. Um pop-star.

Acho que todos estavam com a cabeça mais na decisão com a Ponte Preta do que na Copa do Brasil. E assim foi-se a oportunidade de uma vaga antecipada na Libertadores.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.