O Olho e a Faca
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O Olho e a Faca

Longa de ficção de Paulo Sacramento fala do trabalhador de plataforma petrolífera que enfrenta problemas no mar e em terra

Luiz Zanin Oricchio

01 de julho de 2019 | 11h18

Em O Olho e a Faca, de Paulo Sacramento, Roberto (Rodrigo Lombardi) é um trabalhador de plataforma petrolífera. Bem, eis aí um espaço, talvez pouco explorado pela dramaturgia nacional – além do longa de Sacramento, lembro do seriado da Globo Ilha de Ferro. E é só. 

No entanto, plataformas petrolíferas têm um potencial dramatúrgico dos mais interessantes. São espaços fechados, longe da terra, nos quais as pessoas convivem – e conflitam meses a fio. No limite, são como huis clos, que precisa mser administrados tanto por engenheiros como por psicólogos, pois contêm, em tese, a síndrome dos espaços fechados. Nos quais, o melhor e o pior dos seres humanos costumam vir à tona. 

Além do mais, há uma questão simbólica, que talvez esteja sendo meio esquecida, dado o transe por que passa o país. Plataformas de petróleo ficaram associadas ao sonho do pré-sal, cujas jazidas eram tidas como possível resgate do país de sua condição subdesenvolvida. Seria o nosso passaporte para o Primeiro Mundo, como se acreditou na época. Essa questão passa em filigrana por O Olho e a Faca. 

O longa se concentra mais na personalidade de Roberto e suas divisões. Há a questão interna, quando ele é promovido a chefe na plataforma. A parte, digamos, documental, é bastante convincente. E existem as questões em terra, as dificuldades conjugais de Roberto, com o filho e com a amante (Débora Nascimento). A ideia é a de um equilíbrio instável, cheio de maus presságios, representado pela figura de um corvo que espreita a cena. 

O Olho e a Faca é um belo drama, muito bem dirigido e fotografado, mas ao qual falta alguma coisa para encaixar de todo e mobilizar nosso imaginário. Falta a ele a força que sobrava no longa de ficção anterior de Sacramento, Riocorrente. Este, cheguei a pensar que marcaria época na cinematografia brasileira. Mas há filmes que não acontecem por um motivo ou por outro, e Riocorrente, com sua metáfora poderosa da distopia urbana, merecia sorte melhor. 

Vamos acompanhar o que acontece com O Olho e a Faca no circuito exibidor. Vi o filme na Mostra de São Paulo, na qual passou um tanto batido em meio a dezenas de outros longas brasileiros. 

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