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O olhar do outro

Luiz Zanin Oricchio

01 de dezembro de 2007 | 22h13

Em termos de paranóia de vigilância, o filme que entra hoje em cartaz, A Vida dos Outros, rivaliza com o Big Brother (não daquela picaretagem da TV, mas da obra de George Orwell). Só que o filme de Florian Henkel von Donnersmark é retrato de realidade política recente e não uma invenção ficcional. O filme se passa na Alemanha Oriental, antes da reunificação, e mostra como a polícia política, a Stasi, vigiava de perto da vida dos cidadãos. Por sua força, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2007, entre uma fieira de outros prêmios, como o de melhor filme europeu de 2006. A história é muito atual, em que pese se passar num regime comunista, forma de governo em desuso em quase todo o mundo após a queda do muro de Berlim, em 89, e o fim da União Soviética, em 91. É que ‘A Vida dos Outros’ fala, em especial, das liberdades individuais e como, de uma forma ou de outra, elas entram em choque com o Estado controlador. Na história, verídica ao que se diz, um agente secreto é incumbido de seguir as atividades de um grupo de artistas, suspeitos de desvios ideológicos e contatos ilegais com a parte ocidental da Alemanha. Quanto mais vigia, mais o policial vai se fascinando com o tipo de vida daquelas pessoas. Mas o que interessa é que o filme, como cinema, é bom demais. Tem grandes atuações, suspense, lirismo – e um belo gesto de desprendimento pessoal. Filme para pensar e se emocionar, o que é a melhor combinação para o cinema.

(Guia do Estadão, 30/11/07)

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