O Mistério de Marilyn Monroe: gravações inéditas 
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O Mistério de Marilyn Monroe: gravações inéditas 

Luiz Zanin Oricchio

10 de maio de 2022 | 19h13

Tudo que diz respeito a Marilyn Monroe vira ouro. Haja vista a obra de Andy Warhol, que retrata a estrela, vendida como a mais cara da arte ocidental, superando as de Pablo Picasso. Marilyn ganhou biografia de Norman Mailer e um volume duplo de Joyce Carol Oates, intitulado de Blonde. Esse romance biográfico de Oates  vai virar série de streaming com a cubana Ana de Armas no papel da deusa loura. 

Com direção de Emma Cooper, O Mistério de Marilyn Monroe propõe novidades sobre o trágico fim da atriz, morta por uma overdose de barbitúricos em 1962. Com entrevistas inéditas com pessoas que conviveram com Marilyn, surgem novas dúvidas sobre sua morte, ocorrida quando ela tinha 36 anos. Acidente, suicídio, assassinato? Pode ter sido acidente. Cogitou-se suicídio, mas Marilyn não deixou qualquer bilhete. Assassinato? Parece teoria da conspiração, mas há buracos no relato oficial. Não se sabe se a ambulância chamada já a encontrou morta ou se a levou antes para algum lugar até voltar com o corpo para sua casa. 

Sem ser conclusivo, o filme lembra que a atriz mantinha relações íntimas com os irmãos Kennedy (John e Bob) e, nessa convivência, poderia ter tomado conhecimento de segredos de Estado. Lembra o contexto da década tensa, as manifestações internas pelos direitos civis e a guerra fria em seu ponto máximo no plano externo. A crise dos mísseis em Cuba, que quase levou à 3a. Guerra Mundial, aconteceu em 1962. Ao longo da mesma década, seriam assassinados os líderes negros Malcolm X e Martin Luther King. Os dois irmãos Kennedy também foram abatidos a tiros – John em 1963, Bob em 1968. 

A morte de Marilyn pode ter sido “queima de arquivo”? O livro de Anthony Summer, sobre o qual o filme se baseia, sugere que a família Kennedy tentou esconder um fato importante: Bobby Kennedy (supostamente) estaria em Los Angeles na noite da morte de Marilyn Monroe. Além da intimidade com os Kennedy, poderia ter pesado o fato de ela ter sido casada com o dramaturgo Arthur Miller, tido como comunista. Miller, aliás, é autor do roteiro do último filme de Marilyn, Os Desajustados, dirigido por John Huston, e tendo Clark Gable como partner. 

A vida de Marilyn dá mesmo um romance, com desfecho trágico. O filme não deixa de citar seus pontos principais, embora já bem conhecidos por toda a bibliografia e filmografia anteriores. Fala da garota sem pai, criada em orfanatos enquanto a mãe entrava e saía de hospitais psiquiátricos. O começo como modelo de fotos eróticas e pequenos papéis em filmes – o mais notório como amante de um advogado criminoso (Louis Calhern) em O Segredo das Joias (Asphalt Jungle) de John Huston, de 1950. Depois, os filmes com Billy Wilder (um dos entrevistados), como O Pecado Mora ao Lado e Quanto mais Quente Melhor. Por fim, o casamento com Arthur Miller e o divórcio. Pouco antes, o famoso Happy Birthday cantado com voz sensual para John Kennedy com aquele vestido costurado no corpo. Pouco tempo depois, Marilyn seria encontrada morta. 

Disponível na Netflix

 

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