O Mercado de Notícias
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O Mercado de Notícias

Luiz Zanin Oricchio

07 de agosto de 2014 | 10h07

Há uma curiosa estrutura em três partes de O Mercado de Notícias, de Jorge Furtado. Primeiro, a peça de Ben Jonson, escrita em 1625, na aurora do jornalismo. Segundo, os depoimentos de 13 importantes jornalistas brasileiros da área política. Terceiro, a apresentação de cases jornalísticos recentes, como o “Picasso do INSS”, a bolinha de papel na cabeça do candidato, o affair da tapioca, o escândalo da Escola Base.

A peça de Jonson é satírica. Incrível sua percepção de que a atividade então ainda recente do jornalismo abriria um mercado no qual se vende e compra essa nova mercadoria, a notícia. Em tom satírico, também, são evocados casos jornalísticos recentes em que pseudonotícias ganham espaço e ressonância que não mereciam. Algumas são apenas ridículas, ouro de tolo; outras podem estragar vidas. A notícia é recorte do real, uma interpretação do mundo tal como ele se apresenta. É matéria-prima fluida e escorregadia. Mal apurada ou distorcida, pode acarretar desastres. Sobre as pessoas envolvidas ou sobre o próprio jornalismo, que sobrevive da sua credibilidade.

O filme provoca riso. Mas também reflexão. Seria engano concluir que é “contra a imprensa”. Pelo contrário. Nas entrelinhas da sátira, um eixo claro se desenha: pela exposição dos equívocos, faz-se a defesa do seu contrário: o jornalismo ético, não neutro (porque isso não existe), porém imparcial na apuração, redação e apresentação dessa matéria fugidia chamada notícia. Quem pode ser contra isso?

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