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O mais triste dos jogos

Luiz Zanin Oricchio

10 Julho 2010 | 09h57

Como vai ser o mais triste dos jogos? Me refiro, claro, à disputa pelo terceiro lugar, honra que, nesta copa, cabe a Uruguai e Alemanha. Com todo o respeito, e mesmo desafiando a racionalidade, como é possível encarar essa partida senão como um melancólico prêmio de consolação? Entendo quem diz que se trata de uma partida meritória, que deveria ser disputada com alegria, garra, interesse, etc. Mas como esquecer que se trata do jogo dos perdedores? Daqueles que ficaram sem o pirulito, o prêmio supremo de disputar uma final de Copa do Mundo e, quem sabe?, levar a taça para seu país?

No entanto, para essas duas seleções existem atenuantes. Para o Uruguai: quem diria que o ex-patinho feio da América do Sul, classificado na bacia das almas da repescagem, iria tão longe? Mais longe que os favoritos de sempre, Brasil e Argentina? Pois é, o Uruguai, que já tem duas estrelas na camisa por conta dos títulos de 1930 e 1950, e ainda contabiliza como mundiais as duas conquistas em Olimpíadas, pode dizer que resgatou o amor-próprio nesta Copa da África. Chega ao término do percurso carregado de orgulho e sabendo que resistiu heroicamente à adversidade e apenas sucumbiu diante da Holanda que é, claro, superior a ele neste momento. Mas não sem muita luta. A motivação uruguaia é portanto a da garra, do orgulho próprio, da cabeça altiva até o final. Não por acaso, é a pátria de Obdulio Varella, o grande comandante na vitória sobre o Brasil em 1950, que nós, do outro lado, conhecemos como Maracanazo.

O caso da Alemanha é diferente. É um time renovado, a mais jovem entre as seleções e talvez tenha chegado à Copa da África intimamente convencida de que iria apenas pegar experiência e se preparar para 2014. Fez muito mais do que isso. Enfiou três goleadas, duas delas históricas – 4 a 1 contra a Inglaterra e os até hoje inacreditáveis 4 a 0 sobre a Argentina. Revelou ao mundo o talento de Özil, Müller, Khedira e Scheinsteiger e encantou a todos com seu jogo rápido, vertical, ofensivo. Jogo de moleques tedescos, bom de ver, e expressão de uma Alemanha multiétnica.

Aconteça o que acontecer, ambos saíram vencedores na Copa. Basta isso para motivá-los?

(Caderno da Copa 2010, 10/7/10)

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