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O Lutador vence o Leão de Ouro

Luiz Zanin Oricchio

06 de setembro de 2008 | 14h56

Eis aí: O Lutador, de Darren Aronofski, venceu o Leão de Ouro em Veneza. Como disse o presidente, Wim Wenders, a decisão foi premiar o filme com a atuação mais emocionante, a de Mickey Rourke, como o lutador de luta livre decadente. Por que então não lhe deram o prêmio de melhor ator? Porque não é possível acumular a premiação de melhor ator e melhor filme para o mesmo concorrente. Wenders pediu que a regra seja mudada nos próximos festivais, pois ela limita demais o trabalho do júri. Tem razão.

Eu até que gostei de The Wrestler, do Aronofski, ainda mais se comparado a A Fonte da Vida, qeu concorreu aqui no ano passado e acho um desastre. O Lutador (não sei se vai ficar assim, mas adoto por comodidade narrativa) tem seu encanto, alguns charmes de filmagem, como a sequência inicial, um plano sequência que segue o lutador pelas costas, sem lhe mostrar o rosto, até chegar ao ringue. É legal, lembra alguma coisa de Scorsese. E, sim, Rourke está bem demais, num papel que lembra as porradas que ele próprio vem trocando com a vida há muitos anos. Não ficou mal para um festival de nível muito baixo.

Os outros filmes lembrados foram Soldado de Papel, um trabalho também legal sobre a corrida espacial na época da guerra fria. A estética, não sei bem porquê, deve ter sido defendida por Lucrecia Martel, que estava no júri. É meio rarefeita, como os filmes que ela faz. Também é interessante, embora às vezes meio irritantes.

Dois italianos, Il Papà di Giovanna talvez fosse mesmo o melhor, dando a Silvio Orlando, que vemos muito em papéis cômicos, a recompensa de um trabalho dramático. O filme é meio classicão, mas assim é Puppi Avati.

Teza também é legal, ainda que às vezes meio novelesco. Alguém o definiu como o Novecento do mundo africano. A comparação faz sentido, embora não tenha, nem de longe, o charme do épico de Bertolucci – que também não é dos melhores Bertoluccis, diga-se. Achei mais ou menos o filme francês L’Autre, que deu a Dominique Blanc o prêmio de atriz. Francês por francês, eu ficaria com 35 Rhums, de Claire Denis, ou Les Plages d’Agnès, de Agnès Varda – ambos fora de concurso.

Mas no fundo acho que o ´júri andou bem, levando-se em conta o material que tinha para trabalhar. Acho que deu briga, segundo deduzi da fala de Wenders. Ele foi um cavalheiro, como sempre. Mas disse que nunca mais na vida, mas nunca mais mesmo, participa de outro júri. Fui. Abaixo, vocês têm o resultado completo. Divirtam-se.

Veneza 2008 Premiação
Leão de Ouro: The Wrestler (EUA)
Leão de Prata para melhor direção: Aleksei Germany Jr. por Soldado de Papel (Rússia)
Prêmio Especial do Júri: Teza, de Haile Gerima (Etiópia)
Leão Especial pelo conjunto da obra: Werner Schroeter
Coppa Volpi (ator): Silvio Orlando por Il Papà di Giovanna (Itália)
Coppa Volpi (atriz): Dominique Blanc por L’Autre
Prêmio Marcello Mastroianni para ator ou atriz estreante: Jennifer Lawrence de The Burning Plain (Estados Unidos)
Osella para melhor fotografia: Alisher Khamidhodjaev e Maxim Drozdov por Paper Soldier (Rússia)
Osella para melhor roteiro: Haile Gerima por Teza (Etiópia)
Leão do futuro (para diretor estreante): Pranzo di Ferragosto, Gianni di Gregório (Itália)

Seção Horizontes
Melhor filme: Melancholia, de Lav Dias (Filipinas)
Melhor documentário: Below Sea Level, de Gianfranco Rosi (Itália, EUA)
Menção Especial: Um Lac de Philippe Grandreux (França)
Menção Especial: Wo Men, de Huang Wenhai (China, Suíça)
Curta: Tierra y Pan, de Carlos Armella (México)
Premio UIP para melhor curta europeu: The Altruists, de Koen Dejaegher (Bélgica)
Menção Especial: Vacsora, de Karchi Perlmann (Hungria)

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