O lado japonês, por Clint Eastwood, o humanista durão
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O lado japonês, por Clint Eastwood, o humanista durão

Luiz Zanin Oricchio

12 Janeiro 2007 | 15h40

clintjapa

Assisti hoje a Cartas de Iwo Jima, segundo filme do díptico de Clint Eastwood sobre essa batalha da 2ª Guerra Mundial entre americanos e japoneses. Este expressa o ponto de vista do Japão, dos perdedores. E é feito com toda a honestidade por um Clint que, como já andei dizendo, está cada vez melhor como cineasta. O filme mostra uma grande desproporção de forças – um pequeno e precário exército japonês, entregue a si próprio, sem auxílio de Tóquio, devendo defender a ilha contra o ataque maciço dos americanos, por mar e por ar. Na falta de alternativas, o general Kuribayashi (Ken Watanabe) bolou um plano de defesa singular, com os soldados japoneses escondendo-se em túneis e cavernas interligados para enfrentar a força invasora americana. Estranho personagem, esse Kuribayashi, que enfrenta como um leão os soldados de um país inimigo que no entanto ele admira.

Achei este segundo filme tão consistente e impressionante quanto o primeiro, Conquista da Honra, que mostra o ponto de vista dos americanos. Essa obra de Clint – que ficará para a história como um dos grandes filmes de guerra – tem de ser apreciada em seu conjunto. Há muito o que dizer sobre ela. Por hora, digo que o que mais me impressiona é a disposição de Clint, tão pouco comum em um artista americano, de colocar-se no lugar do outro, e mais, de um inimigo do passado, tentando entender seus sentimentos e aspirações. O durão Clint, dos westerns spaghetti e dos Dirty Harry da vida, revela-se, quem diria, um grande humanista.

Como lembrou meu amigo Alysson neste blog, Conquista da Honra tem estréia prevista para 2 de fevereiro, e Cartas de Iwo Jima para 16 do mesmo mês.