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O jogo do sobe e desce *

Luiz Zanin Oricchio

09 de abril de 2013 | 11h05

Domingo preparei-me para ver a Ponte Preta dar um baile no Palmeiras. Certo, há o peso da camisa e, entre os dois clubes, uma senhora diferença em termos de títulos ganhos. Para começar, o Palmeiras é octocampeão brasileiro. Nada menos. Mas, como diz o jargão, futebol é momento. E, no momento, a querida Macaca joga muito melhor. Aliás, acho que é o time mais acertado do campeonato. Mais que todos os chamados grandes. Palmeiras incluído.

Além do mais, o Palmeiras vem tendo uma trajetória das mais acidentadas. Irregular, apenas para usar um termo ameno. Ainda mais que entrava em campo no reduto adversário e sem alguns dos seus titulares. No entanto, o que se viu foi um time que mereceu amplamente a vitória por 2 a 1. Com ela, se credencia para o seu próximo compromisso, contra o Libertad, do Paraguai, na quinta, pela Libertadores.

Quem diria que, depois de goleado por 6 a 2 pelo Mirassol, o Palmeiras viveria a bonança atual? Ninguém, que eu saiba. A pergunta que o torcedor se faz, no entanto, é outra, e mantém viva uma ponta de desconfiança: até quando os bons tempos vão durar?

Ninguém pode responder ao certo. A julgar pelo que se viu no Moisés Lucarelli, o treinador Gilson Kleina encontrou uma formação bastante próxima do ideal (mesmo se admitirmos que o ideal só exista na nossa cabeça, nunca na vida real). Mas também não é preciso mistificar. O que vimos foi um time esforçado, com muita disciplina tática e aplicação.

Virtudes que anularam o melhor toque de bola da Ponte que, também vamos reconhecer, está acima dos outros mas não chega a ser nenhum Barcelona. Destaca-se, mas no nível médio pífio apresentado até agora pelo Paulistão.

Enfim, uma montanha-russa como a que tem sido vivida pelo Palmeiras só é possível num esporte como o futebol. Não é que não tenha lógica, mas a lógica do futebol parece ser diferente daquela do dia a dia, da chamada lógica aristotélica, que funda o nosso senso comum. O bom senso nos diz que um time melhor do que o outro sempre ganha. Pela experiência, que contradiz a lógica, sabemos que em geral isso acontece mesmo. Mas nem sempre. E vivemos na expectativa da exceção. Esperamos pelos casos, nem tão raros assim, em que um time superior perde de um inferior.

Mas mesmos esses termos – superior e inferior – são insatisfatórios. O que significam, de fato? Em geral, que um dos times tem jogadores mais famosos e bem pagos que o outro. Ou um técnico conhecido, já dono de vários títulos. Ou uma camisa de tradição. Pois bem, tudo isso pode ser anulado por um adversário de menos nome, que esteja num dia de sorte, ou tenha a inteligente humildade tática para anular o mais forte. O terrível, no caso do confronto de domingo, é que o Palmeiras tenha sido o azarão e não o contrário.

No entanto, é essa instabilidade que garante emoção ao futebol. Mesmo quando tão mal administrado como o nosso.

* Coluna publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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