O Inferninho são os outros
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O Inferninho são os outros

O visual aposta na estranheza mas o forte é a humanidade dos personagens

Luiz Zanin Oricchio

28 de maio de 2019 | 23h49

Causa surpresa na plateia a exibição de Inferninho, de Pedro Diógenes e Guto Parente. Compreende-se. Imaginemos alguém que nada saiba da dupla e nem do coletivo Alumbramento, do Ceará. Não há como não se espantar diante de uma história encenada em tons dramáticos, flertando abertamente com o kitsch e quase com uma estética camp.

Caso se abstraia a questão formal, Inferninho, como o título diz, ambienta-se num decadente barzinho de noite, no qual o staff, a começar pela proprietária, parece tão estranho quanto os frequentadores. Ganha uma dinâmica especial a chegada de um marinheiro de ares fassbinderianos, que evoca Querelle de Brest, o famoso filme do diretor alemão.

No fundo, o filme é um melodrama sensível, que defende a convivência entre diferentes e aponta o dedo para tudo que nos aflige no atual estado civilizatório, se o termo cabe. Inveja, cobiça, negociatas, golpes e especulação imobiliária. O lucro acima de tudo e o dinheiro como Deus supremo, em detrimento do respeito e das relações humanas.

O diálogo entre Deusimar (Iuri Yamamoto), a proprietária e um homem fantasiado e chamado de Coelho é comovente. A extravagância dos tipos físicos e suas roupas potencializa essa emoção, que termina por uma epifania. Muito bonito mesmo.

  • Texto escrito durante a Mostra de Cinema de Gostoso
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