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O independente

Luiz Zanin Oricchio

11 de fevereiro de 2007 | 22h58

Para quem curte só o cinemão, John Cassavetes é o ator que faz o marido de Mia Farrow em ‘O Bebê de Rosemary’. Quem liga apenas para o lado mundano do cinema pode dizer que ele, na vida real, foi casado com um tipo de beleza, Gena Rowlands, linda até hoje. E quem curte o cinema independente reconhecerá em Cassavetes um dos patronos desse tipo de filme que se faz ao lado, e às vezes contra, o cinema mais tradicional de grandes estúdios e orçamentos. A ‘Mostra John Cassavetes’, promovida pelo Cine Sesc, dá uma boa idéia do que foi a arte desse nova-iorquino filho de gregos, morto em 1989 aos 60 anos.

Dele, temos uma amostra pequena porém significativa, que inclui filmes como Sombras (1960), Faces (1968), Uma Mulher sob Influência (1974), A Morte de um Bookmaker Chinês (1976) e Noite de Estréia (1978). A temática preferida de Cassavetes, você verá, é a do intimismo. Em geral mostra seres atormentados, mal postos naquilo que se convencionou chamar de “sonho americano”, o reino das oportunidades para todos. Tanto em seus filmes como nas inúmeras peças que escreveu, Cassavetes procura investigar o que existe por detrás desse sonho que, fica-se tentado a dizer, não raro se transforma em pesadelo. Estilisticamente, Cassavetes é um criador muito livre. Usa a câmera na mão quando lhe convém e não hesita em se valer de tempos ditos “mortos”, que, na verdade, dizem muito sobre a psicologia dos personagens.

Esse textinho, que publiquei no Guia do Estadão, é só para lembrar a vocês que a mostra Cassavetes continua rolando o Cine Sesc até quinta-feira. Eu não perderia. Abraços

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