‘O Imperador’
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

‘O Imperador’

Luiz Zanin Oricchio

23 de fevereiro de 2015 | 21h57

imperador

Imperador, de Nick Powell, é um drama medieval meio estranho. E o fato de ter em seu elenco, mesmo que como coadjuvante, o impávido Nicolas Cage, não contribui para colocá-lo nos eixos. O protagonista é Hayden Christensen, no papel de Jacob, um arqueiro tão temível quanto dependente de ópio.

Ele e Gallain (Cage) são dois cruzados que, fora de combate, vão dar com os costados na China medieval e lá se envolvem na sucessão imperial. O imperador está à morte e resolve passar a coroa para o filho mais novo, um menino ainda, enquanto o mais velho está na guerra. Quando volta, o primogênito não recebe bem a notícia. O pequeno herdeiro do trono e sua irmã tentam se esconder enquanto são perseguidos pelo ambicioso irmão mais velho, que procura matá-los. Jacob, e depois Gallain, os defenderão do homem mau.

Nota-se, desde o início, que Imperador é uma mistura dos gêneros faroeste e artes marciais. Do primeiro, guarda a estrutura e alguns cacoetes. Desse modo, pode-se ir adivinhando, com pouca margem de erro, o que vai acontecer nas cenas seguintes e, em especial, qual será o desfecho. Nesse western oriental, Jacob é seu cavaleiro solitário, taciturno, monossilábico mesmo, refratário a envolvimentos afetivos, etc. A mitologia do Velho Oeste fornece todo o formato da trama. A essa estrutura comparecem as lutas marciais, outro gênero em si mesmo, com seus costumeiros exageros e desproporções. Se houvesse guerreiros capazes de reduzir a pó dúzias de oponentes, as lutas não teriam graça. Mas desse jeito são encenadas, e desde  Bruce Lee.

Pensando bem, essa previsibilidade toda é que dá a Imperador um certo ar retrô, odor de coisa velha e manjada. No entanto, até agradável, às vezes. Por exemplo, é ok a relação de Jacob com o principezinho destronado, Zhao (Bill Su Jiahang), que  precisa aprender as artes da da defesa pessoal para talvez enfrentar seu irmão malvado, Shing (Andy On). Até aí vai tudo mais ou menos bem, dentro das limitações do projeto.

Mais complicado é acreditar no papel de Nicolas Cage, de cruzado a lutador invencível e implacável. Mesmo que se tenha toda a boa vontade do mundo, aqui parece um caso clássico de miscasting, de escolha infeliz de um ator para um papel.

Por fim, não é nem a escalação errada do elenco o pior. Ruim mesmo é a concepção infantil dessa aventura que, parece, começou por um projeto de western spaghetti para depois terminar nessa trama ambientada na China e formatada pelas artes marciais. Samba do crioulo doido, diria em outra época o grande Stanislaw Ponte Preta.

 

Tudo o que sabemos sobre:

Nicolas Cage

Tendências: