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O grande cinema italiano

Luiz Zanin Oricchio

28 de outubro de 2006 | 11h25

Ontem gastei (ganhei) meu dia assistindo a grandes filmes italianos, como Un Borghese Piccolo Piccolo (1977), de Mario Monicelli e Os Subversivos (1967), dos irmãos Taviani. Não conhecia nenhum dos dois. Saí chapado. Alberto Sordi está maravilhoso como o pequeno burguês do título, um burocrata cujo único sonho é colocar o filho na mesma repartição pública onde trabalha há 30 anos. Muda de planos quando o filho é morto numa tentativa de assalto. E assim, o cidadão exemplar torna-se um justiceiro vulgar. Leio no excelente livro O Cinema Político Italiano (será lançado hoje, às 19h, no Clube da Mostra) a entrevista em que Monicelli diz que Sordi não queria fazer o personagem. Tinha medo de que comprometesse a sua figura cômica, de boa praça e italiano embrulhão. Acabou fazendo e talvez tenha sido a sua melhor interpretação da carreira.

Os Subversivos é uma proposta radical dos Taviani. Durante o enterro do líder comunista Palmiro Togliatti, quatro histórias diferentes se entrelaçam e fornecem um painel de uma Itália que ainda pensava politicamente. Brilhante, em seu preto e branco de antologia.

As duas cópias vieram da Cineteca Italiana (a Cinemateca deles) e estão em ótimo estado. Pena que não haja mais sessões para o público. Quem perdeu, pode se confortar com outra obra-prima, esta programada para hoje: Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (1970), de Elio Petri (Arteplex 1, 15h20). No elenco, a brasileira Florinda Bolkan, que apresenta o filme para o público e estará à noite no Clube da Mostra para o debate sobre o cinema político. Não deixe de ver o filme e não perca também o debate, cujo personagem principal será o veterano diretor italiano Vittorio De Seta, que trouxe à mostra seu belo Cartas do Saara.

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