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A responsabilidade do goleiro

Luiz Zanin Oricchio

06 Novembro 2006 | 16h51

Vem do futebol um exemplo interessante: Marcos, goleiro do Palmeiras, errou na saída da meta e tomou um gol do Paraná, que conduziu seu time à derrota. Ele mesmo foi o primeiro a assumir a culpa, caso raro não apenas no futebol brasileiro, mas no Brasil de modo geral. Lembro de outro exemplo parecido, o de Rodolfo Rodrigues, mitológico goleiro do Santos dos anos 80, que assumiu sozinho a responsabilidade de um gol tomado, inclusive contra toda a opinião da crônica especializada. Todos queriam desculpá-lo, menos ele próprio. O futebol é interessante porque permite extrapolações à sociedade. Desde que essas extrapolações sejam justas e não parciais. Jogar a responsabilidade nas costas do outros acontece no futebol do diretor do clube ao roupeiro. E, na sociedade, do contínuo ao presidente. Esse tipo de atitude se vê no funcionalismo público e na iniciativa privada. Em toda parte. Seria um “modo de ser”, como falaram da cordialidade, o tão mal interpretado conceito de Sérgio Buarque de Holanda? O fato é que precisamos de homens como Marcos. Ou Rodolfo Rodrigues que, por falar nisso, é uruguaio.