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O filme da discórdia

Luiz Zanin Oricchio

26 Março 2007 | 17h31

A Globo passa hoje, na sessão Tela Quente, o filme de Fernando Meirelles, Cidade de Deus. Horário nobre para o longa-metragem mais polêmico dos últimos anos. Ou existe outro e não estou lembrando? Afinal, essa versão de Meirelles para o romance/depoimento de Paulo Lins dividiu a crítica, instaurou uma discussão sobre a questão ética de representação da pobreza, das favelas e da violência e deu origem a um famoso seminário chamado de A Cosmética da Fome, no qual detratores e defensores se engalfinharam sem trégua em torno do filme. O público, em geral ausente desses debates sapientes, entrou com sua parte e fez de Cidade de Deus um dos maiores sucessos do cinema brasileiro recente, com cerca de 3,4 milhões de espectadores no cinema no ano de estréia, em 2003. Lembro de que assisti ao filme duas vezes antes de escrever a minha crítica. Sentia-me dividido entre pontos que me pareciam extremamente problemáticos e o fascínio geral que o diabo do filme exercia sobre todo mundo, eu incluído. Ainda hoje, quando o revejo, é assim. Até mesmo por esse caráter de paradoxo cinematográfico, Cidade de Deus é um filme incontornável do cinema brasileiro contemporâneo. Vale dar uma conferida, mais uma vez.