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O Filho Eterno

Luiz Zanin Oricchio

19 de janeiro de 2009 | 15h33

No fim de semana li, finalmente, O Filho Eterno, romance que deu todos os prêmios possíveis de 2008 ao seu autor, Cristovao Tezza. Merecidos, pelo jeito. Pelo menos, o livro me impressionou bastante. Em primeiro lugar pela coragem de refazer essa relação tão complicada, a de um pai jovem com seu filho com Síndrome de Down. Tezza não ignora – é no plano do simbólico que a luta pela aceitação se dá. O escritor não esconde nenhuma das etapas dessa luta, que é uma luta consigo mesmo, para se assumir como pai de Felipe, o garoto downiano. Mas claro que o livro não é apenas o relato sincero de um pai, mas um trabalho literário de alto nível. É através da elaboração da linguagem que o narrador/Tezza vai nos mostrando, sem qualquer concessão ao bom-mocismo, como Felipe se torna parte integrante da sua vida – o verdadeiro “filho eterno” de que fala o título. Uma questão adicional, mas não menos importante: autobiografia ou relato ficcional? Ou, como anda na moda dizer: autoficção? Até que ponto Tezza “conta tudo” ou cria, inventa, de maneira ficcional (se me perdoam a redundância) para melhor dizer “a verdade” dessa relação tão particular?

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