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O provincianismo dos “cosmopolitas”

Luiz Zanin Oricchio

04 de fevereiro de 2009 | 13h15

Leio, com prazer, a coluna de Francisco Bosco na Revista Cult deste mês, com o título de Ser Provinciano é…

Bosco (que, descobri depois, é filho do grande compositor e cantor João Bosco) toma como ponto de partida para reflexão um detalhe de uma entrevista dada por Danusa Leão ao lançar seu livro Fazendo as Malas. Danusa, com ar de superioridade blasé, comenta que em qualquer lugar do mundo se pede um copo de vinho ou champanha. “Só no Brasil existe o hábito de pedir uma taça de vinho, ou uma tacinha, pior ainda”.

É um pequeno caso concreto, que contém um subtexto típico da “elite brasileira” da qual a colunista se faz porta-voz (basta lembrar de como ridicularizou a presença de Lula numa festa junina, coisa de caipiras, claro): “Tacinha é desprezível, no limite, porque o Brasil é desprezível” – aponta Bosco, de maneira certeira.

O texto revela de modo agudo o provincianismo, a estreiteza mental e colonizada que se escondem atrás desse falso cosmopolitismo. Vale a pena comprar a revista e ler.

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