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O Espião que Sabia Demais

Luiz Zanin Oricchio

13 de janeiro de 2012 | 16h04

John Le Carré é grife quando o assunto é espionagem. Afinal, o escritor conheceu por dentro o métier. Sabe do que fala. E, como escreve muito bem, nos enreda em suas tramas. O cinema tem fascínio por ele. Este O Espião Que Sabia Demais é o mais novo exemplar, numa bela adaptação de Tomas Alfredson, que faz o arroz com feijão para não estragar o texto.

Gary Oldman é soberbo como George Smiley, alter ego de Le Carré. Smiley está fora do serviço (foi retirado, na verdade). Mas é reconduzido quando se descobre que existe um infiltrado trabalhando no coração do serviço de informações.  Precisam de um tipo à antiga, como Smiley, para descobrir o agente duplo, tipo comum na Guerra Fria.

Como sempre, em se tratando de Le Carré, os diálogos são muito bons e as situações, enroladas e misteriosas. Se o espectador não prestar muita atenção, perderá o fio da história. Talvez perca, mesmo se não desgrudar os olhos da tela. Histórias de espiões são ambíguas, mostram-se apenas de leve e nunca o que parece de fato é.

Os diálogos são cortantes. Um dos amigos de Smiley lembra os velhos bons tempos. Outro lhe recorda os sofrimentos da época, e o primeiro responde que, pelo menos, se sabia a quem combater. A fala diz muito sobre o nosso tempo.

Com elenco de ponta, com nomes como John Hurt, Tom Hardy e Colin Firth, Alfredson trata de fazer um filme elegante, no qual as questões da espionagem revelam sua verdadeira natureza, a de fatos da política.

 

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