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O Encontro Marcado – 50 anos

Luiz Zanin Oricchio

12 Março 2007 | 21h12

Não é engraçado que, durante as férias, eu me dedique mais a escrever sobre livros do que sobre filmes, que afinal são o meu foco principal de trabalho? Pois bem, cheguei de volta à Serra do Japi depois de passar o fim de semana no Guarujá. A viagem foi cansativa, principalmente porque tive de passar por São Paulo para trocar uma estrada por outra. Trânsito infernal, ou eu que já estou desacostumado dele? Seja como for, cheguei exausto, e estava disposto a falhar com o blog, pelo menos por hoje. Deu preguiça.

Mas não é que ligo a Globo para ver o Jornal Nacional e sou lembrado de que se completam os 50 anos da publicação de O Encontro Marcado, de Fernando Sabino? Deu vontade de escrever e abri o computador. Para dizer que, bem, eu jamais sonharia em colocar esse livro entre os meus “formadores”, da lista anterior. Pelo menos, ele não me veio à cabeça. Mas, pensando bem, por que não? Nunca mais o reli, e não tenho idéia de como suportaria uma nova visita. Talvez o releia, como andou sugerindo um leitor, lembrando-se, talvez, de Borges: “é melhor reler do que ler”.

Enfim, foi um livro que li na adolescência ou começo da juventude, e tenho impressão de que é a fase da vida em que deve ser lido mesmo, embora, talvez, por falta de experiência, se perca alguma coisa. Mas nunca esqueci da figura de Marciano, o alter ego de Fernando Sabino, com suas dúvidas, suas hesitações, a sua dificuldade em definir uma vocação. O Encontro Marcado é, claro, um romance de formação e estes sempre mantêm um encanto secreto, pois apanham o escritor no processo mesmo de enfrentar seus fantasmas e jogar-se no abismo da criação. Pronto, está decidido: vou reler O Encontro Marcado, mas não sei quando, pois está em casa, nas Obras Completas de Sabino.

À guisa de história pessoal. Conversei com Fernando Sabino uma única vez e queria entrevistá-lo sobre literatura. Perguntei se queria bater um papo e tomar um uísque. Ele me respondeu: “Um, não; agora, se forem vários…” Grande sujeito. Por isso me senti mal quando, anos depois, houve aquela história da biografia da Zélia Cardoso de Mello e que acabou ficando como uma mancha na trajetória de Sabino. Agora, o tempo já passou e fica dele o cronista magnífico, o grande conversador, e talvez o romancista de O Encontro Marcado. A conferir.