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O direito universal à sexualidade

Luiz Zanin Oricchio

02 de junho de 2012 | 13h11

Existem temas difíceis de tratar. O de Hasta la Vista, de Geoffrey Enthoven, é um deles. O filme fala de três garotos adolescentes e, como todos os de sua idade, com os hormônios em ebulição.

Mas há uma diferença importante: dois deles são portadores de deficiências e o terceiro sofre de uma doença terminal. Um é deficiente visual. Outro está preso a uma cadeira de rodas. O terceiro dos amigos sofre de um tipo grave de câncer.

Um deles ouve falar de um prostíbulo na Espanha e resolvem empreender uma viagem até lá. Não querem morrer virgens. Naturalmente não podem contar com a colaboração de pais e médicos para tal projeto. Têm de se virar sozinhos.

O jeito de enfrentar um assunto como esse – tão a feitio para comentários politicamente incorretos que passam engraçados – é mesclar, com bastante senso de proporção, o humor com a ternura. E é o que faz o diretor. Sai-se bem em todas as circunstâncias, mesmo nas mais difíceis. Não deixa abaixar a nossa solidariedade com os personagens, nem os transforma em coitadinhos, dignos de pena.

Em nossa boa consciência civilizada e moderna, a sexualidade deixou de ser tabu. Menos em relação a idosos e portadores de necessidades especiais. A estes, pedimos que sejam assexuados. Disfarçamos o nosso mal-estar ridicularizando-os. Não é uma hipocrisia egoísta, além de cruel?

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