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O Dia em que Eu não Nasci

Luiz Zanin Oricchio

30 de setembro de 2011 | 19h28

O Dia em que Não Nasci começa com uma impressão subliminar. A moça alemã, em escala pelo aeroporto de Buenos Aires, ouve uma canção de ninar entoada por uma jovem mãe. Algo, que não sabe definir, é despertado em sua memória afetiva. E esse indefinível dá início a uma busca, envolvendo mais uma história da época da ditadura militar na Argentina.

O filme de Florian Micoud Cossen busca evitar os facilitários desse quase gênero. Maria (Jessica Schwarz) não fala uma palavra de espanhol e nem aprenderá milagrosamente o idioma para salvar a cara do roteirista. Com essa dificuldade de comunicação, enfrentará os problemas da busca que se propõe em Buenos Aires. Claro, há o expediente do policial charmoso que fala perfeitamente o alemão, mas mesmo esse expediente não compromete a credibilidade da história.

De qualquer forma, será o fato de Maria permanecer no escuro a maior parte do tempo que emprestará ao filme o encanto que tem. Afinal, estamos falando de um tempo de brumas, em que pessoas eram assassinadas e seus filhos adotados por colaboradores do regime sem que ninguém ficasse chocado. Era a ordem natural das coisas.

De modo que a trajetória de Maria será desfazer anos depois essa “ordem natural” e reencontrar-se com um passado que nem ela própria sabia existir. O filme, embora dirigido por um alemão nascido em Tel-Aviv, reflete essa necessidade argentina de saber o passado – conhecê-lo, custe o que custar. Mesmo que o preço seja perder-se na cidade, no sentido literal e no metafórico, como insinua uma das tantas cenas marcantes desse belo filme.

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