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O conselheiro de debates

Luiz Zanin Oricchio

01 de outubro de 2010 | 10h17

Depois do debate mais do que monótono de ontem, fiquei me perguntando: será que alguém muda o voto depois de ver esses candidatos todos na retranca diante da TV? Não sei. Suspeito que não e que tudo já estará definido. Domingo saberemos.

Acho que o debate ficou ruim porque todos (incluindo Plínio) estavam mais preocupados em não errar do que em acertar. Era como um jogo de futebol muito defensivo, com os dois times querendo terminar em 0 a 0, e o mais rápido possível. Até entendo essa atitude por parte de Dilma, que está na dianteira. Só teria a perder com um confronto de conseqüências imprevisíveis. Mas e Marina? E o Serra? E mesmo Plínio? Por que não ousaram mais? O que teriam a perder, nesta altura do campeonato?

Mas, enfim, falando em debates, li um negócio interessante outro dia. Vocês sabem que o modelo de todos os debates, aquele que cristalizou em nossas cabeças a ideia de que uma discussão pela TV pode definir o rumo das eleições, foi aquele entre John Kennedy e Richard Nixon. Dizem que, mais do que o conteúdo, foi a forma a decidir o jogo em favor de Kennedy. Ele olhava firmemente para a câmera (quer dizer, para os olhos do espectador), sorria, exprimia-se com frases curtas e diretas. Parecia seguro de si. Sincero. Enquanto isso, seu adversário olhava de lado, tropeçava nas palavras, gaguejava e se perdia em frases longas. Parecia mentir. O público votou em quem lhe passava mais a sensação de verdade.

Os dois estilos exprimiam as personalidades diferentes dos dois homens? Em termos. Outro dia fiquei sabendo que uma pessoa aconselhara discretamente o candidato Kennedy sobre a melhor maneira de se comportar diante das câmeras. Quem? Um certo Arthur Penn, diretor de Bonnie & Clyde, que morreu nesta semana mesmo. Estão surpresos? Eu também fiquei.

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