O colombiano O Abraço da Serpente fatura quase tudo no Prêmio Platino
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O colombiano O Abraço da Serpente fatura quase tudo no Prêmio Platino

Luiz Zanin Oricchio

25 Julho 2016 | 05h51

serpente

PUNTA DEL ESTE

Que o colombiano O Abraço da Serpente era um dos favoritos, todo mundo sabia. O que ninguém podia imaginar era que ganharia quase todos os Prêmios Platino a que fora indicado. Além de melhor filme, recebeu os troféus de direção, além de brilhar nos quesitos técnicos, ficando também com as estatuetas de direção de arte, montagem, fotografia, som e trilha sonora. Sete na caçapa em oito indicações!

Deixou apenas escapar o troféu de roteiro, que foi para o chileno O Clube, de Pablo Larrain. O Chile ficou também com o prêmio de melhor documentário, para Botão de Pérola, de Patrício Guzman.

A Argentina emplacou os dois troféus de interpretação, melhor ator para Guillermo Francella, de O Clã, e melhor atriz para Dolores Fonzi, por Paulina.

A Guatemala ganhou a estatueta de melhor filme de estreante, com Ixcanul, de Jairo Bustamante, que também tinha oito indicações.

Um dos grandes momentos da noite foi a premiação de Ricardo Darín, o homenageado do ano. Ganhou um longo aplauso em pé da plateia que lotava o recém-inaugurado Centro de Convenções de Punta Del Este, sala com mais de 2 mil lugares. Disputava a estatueta de ator, por Truman, mas a perdeu para seu conterrâneo Guillermo Francella.

Outro momento de emoção foi a entrega do Prêmio Platino de Cinema e Educação em Valores, atribuído a Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert. A atriz do filme, Karina Telles, recebeu o troféu das mãos da Prêmio Nobel da Paz guatemalteca, Rigoberta Menchú, e fez um discurso político, iniciado pela palavra de ordem “Fora Temer”. Foi muito aplaudida.

A longa cerimônia de entrega dos prêmios foi entremeada de números musicais e piadas dos apresentadores. Em moldes hollywoodianos, o Prêmio Platino procura expandir a base de atuação da indústria cinematográfica dos 23 países de fala ibero-americana. Como o espanhol é majoritário nessa comunidade, Brasil, Portugal e outros países de fala portuguesa ainda precisam cavar seu espaço nesse meio. Na prática, o Platino 2016 falou espanhol do começo ao fim.

Prêmio itinerante, o Platino terá Madri como sede em 2017, depois de haver passado por Cidade do Panamá, Marbella e Punta Del Este.