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O cinema e o golpe de 64

Luiz Zanin Oricchio

22 de março de 2014 | 22h36

Não existe filme que melhor represente a tragédia social brasileira do golpe de 1964 que Cabra Marcado para Morrer (1964-1984), de Eduardo Coutinho (1930-2014). Em fevereiro de 1964 Coutinho começou a encenar a trajetória do líder camponês João Pedro Teixeira, morto por capangas de latifundiários em 1962. As filmagens avançavam, com companheiros de João Pedro fazendo seus próprios papéis e a viúva do líder, dona Elizabeth Teixeira, representando a si mesma. Com o golpe, a equipe de filmagem, o diretor e os “atores” tiveram de se refugiar, pois ficaram na mira da repressão. Os negativos das partes filmadas foram escondidos porque a ordem era destruí-los. Dezessete anos depois, já sob a forma de documentário, Coutinho retomou a filmagem, localizou personagens e foi encontrar dona Elizabeth escondida num lugarejo do Rio Grande do Norte. Com o filme, ela retornou à vida, assim como o País retomou a normalidade democrática após um período de 21 anos de ditadura. É a obra-símbolo desse percurso do povo brasileiro, dessa longa noite e de seu desfecho.

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