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O cheiro do ouro *

Luiz Zanin Oricchio

07 de agosto de 2012 | 10h27

A seleção olímpica pode estar a dois jogos do ouro. Precisa passar pela Coreia e então já estará na final, contra Japão ou México. Dito assim, parece simples. Não é. Não espero um jogo fácil hoje à tarde contra os coreanos, que se fecham bem na defesa e saem rápido nos contra-ataques. Acho que o Brasil vai sofrer. Mas pode passar. Deve passar, pois poucas vezes, desde que se colocou entre nós a necessidade de ganhar o ouro olímpico, ele nos pareceu tão próximo.

Proximidade não é certeza de alcançá-lo, o que é óbvio. Menos evidente é observar as falhas que tornaram duro o jogo contra Honduras. Acabamos vencendo mas, quem viu o jogo sabe que, em alguns momentos, a seleção balançou. Acabou por prevalecer a categoria técnica melhor. Mesmo assim, defeitos defensivos ficaram evidentes, e podem ser explorados pelos próximos adversários. Enfim, acho boas as chances. De todas as seleções que vi, a brasileira é a melhor. Mas ainda não me convenceu de todo. Oscila muito. E oscilação, numa partida única, pode ser fatal.

E, claro, pensamos na Olimpíada, mas temos os olhos voltados mais adiante, para 2014. Boa parte dessa seleção deverá ser titular na Copa do Brasil. O técnico é ainda uma incógnita. Dizem que José Maria Marin livra-se de Mano ao menor pretexto. Eu sempre estranhei esse tipo de atitude. Se o novo chefão da CBF não está convencido de que Mano Menezes é o técnico ideal para ganhar a Copa do Mundo, por que mantê-lo e esperar um tropeço para então fazer a troca que deseja? Pergunto e eu mesmo respondo. Porque é praxe entre os homens políticos (e os dirigentes esportivos o são): precisam de pretextos para trocar cargos. Não fica bem dispensar quem está vencendo, mesmo que se esteja convencido de que, a longo prazo, quem ocupa aquele cargo será incapaz de cumprir a sua missão maior. Assim foi com Dunga. De técnico-tampão após o vexame de 2006, tornou-se estável no cargo porque o time ganhava. Deu no que deu em 2010.

Enfim, como Mano não foi a primeira escolha e nem é o técnico dos sonhos da grande maioria das pessoas, estará sempre com a cabeça a prêmio, a não ser que mostre resultados. E o maior desses resultados, sem dúvida, será a medalha olímpica, que pode blindá-lo contra possíveis frituras e avançar, pelo menos, até a Copa das Confederações, no ano que vem.

Deixando a política de lado, já se criou uma expectativa favorável para o ouro olímpico do futebol brasileiro. E, cá entre nós, o que conta mesmo é a competição dentro de campo, e não seus desdobramentos políticos. Isso veremos depois.

É pena que o desempenho de alguns jovens boleiros já tenham despertado a cobiça dos donos do futebol global. Oscar já acertou com o Chelsea e Lucas está sendo assediado pelo novo “player” desse clube miliardário, o Paris Saint-Germain. Agentes rondam a concentração, como em sua casa. O que não diria o pobre barão de Coubertin, hein?

* Coluna Boleiros publicada no Caderno de Esportes do Estadão

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