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O cheiro das coisas

Luiz Zanin Oricchio

31 de julho de 2015 | 14h57

 

Agora de manhã fui à sessão de imprensa de Jimmy’s Hall, novo filme de Ken Loach. Conta a história (real) do militante que, após 10 anos de exílio nos Estados Unidos, retorna à sua Irlanda natal. Lá reabre um salão de danças, divertimento, encontros e ensino de ideias progressistas, o que, previsivelmente, desperta a fúria da Igreja e dos setores conservadores da sociedade irlandesa. Um belíssimo filme, com personagens expressivos, cujo centro de gravidade está na luta de classes como motor da História. Conceito que, para Loach, faz todo o sentido.

Chegando em casa, fui pesquisar em minha coleção dos Cahiers du Cinéma para conferir a crítica do filme, já antevendo que havia levado o maior pau. De fato, qualquer coisa que lembre História ou política, ou engajamento, ainda mais de esquerda, atualmente repugna a revista.

Mas não imaginava o destempero. Não sobra nada do filme. Em um artiguinho mínimo, o crítico A. S. (Ariel Schweitzer) classifica o filme como congelado (figé), sem élan e sem vida, com direção acadêmica. E, como foi selecionado para Cannes-2014, finaliza com uma cobrança à comissão de seleção: “Nos devem explicações de como este filme cheirando a naftalina pôde fazer parte da competição do mais prestigioso festival do mundo.”

É caso de se perguntar: se Jimmy’s Hall cheira a naftalina, a que cheira a revista Cahiers du Cinéma em sua atual fase?

 

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