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O caráter de Calígula

Luiz Zanin Oricchio

07 de julho de 2007 | 10h39

Como Luciano Canfora, autor que citei em outro post,às vezes acho útil pensar na antiguidade, em especial quando o presente me aflige. Roma, em particular, me encanta. Quando você chega ao Fórum Romano, depara com uma série de placas em mármore, indicativas da expansão e depois da retração de Roma ao longo dos séculos. Você vai caminhando e medita. O que restou daquele império imenso, de tanto poder e empáfia? Uma série de ruínas majestosas. E toda uma cultura. O que restará deste, quando a poeira dos séculos baixar sobre ele? Uma cultura de MacDonald’s e filmes ruins?

Uma das minhas leituras favoritas, livro de cabeceira permanente, é The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, de Edward Gibbon, que tenho também na ótima tradução de José Paulo Paes, aqui lançada pela Companhia das Letras. Sei que era uma das obras favoritas de Winston Churchill, esse grande conservador a quem muito admiro. Recomendo aos truculentos visitantes deste blog que leiam Churchill ou, ao menos, a biografia dele escrita por Lord Roy Jenkins. Leiam também Raymond Aron para não ficarem cacarejando tolamente, sem saber o que dizem ou onde o galo está cantando.

Enfim, gosto de pensar no Império Romano para refletir sobre nossa própria época. E outro dos meus livros favoritos sobre o assunto é Grandeza e Decadência dos Romanos, de Montesquieu, do qual tiro esse trecho, de grande sabor e sabedoria:

“Calígula sucedeu a Tibério. Dele se dizia que nunca houve melhor escravo, nem senhor mais perverso. Essas duas coisas estão muito ligadas, pois a mesma disposição de ânimo faz com que se fique vivamente impressionado com o poder irrestrito de quem manda e faz com que não seja menor o pasmo quando se chega pessoalmente a comandar.”

Não é muito atual?

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