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O campeonato das oportunidades perdidas

Luiz Zanin Oricchio

13 de outubro de 2009 | 08h45

Encerrada a 29ª rodada, todo mundo tem motivo para chorar alguma coisa. O Palmeiras, porque não consegue abrir a vantagem que lhe garanta o título por antecipação. Os outros, que o seguem, porque invariavelmente vacilam quando poderiam se aproximar do líder e colocá-lo sob pressão. O São Paulo perdeu do Flamengo. O Atlético-MG perdeu do Cruzeiro. O Internacional empatou, assim como o Goiás. Parece que todos estão colaborando para um desfecho eletrizante nas rodadas finais. Mas também é claro que, apesar do chocolate que levou do Náutico, o Palmeiras segue como favorito.

Conclusão a que me permito: não tem ninguém jogando bem neste campeonato. Ninguém que, como se costuma dizer, arranque suspiros da torcida e murmúrios de admiração dos adversários. Tudo segue num ramerrão técnico abaixo da crítica, ao contrário do que prevíamos (e aí me incluo) no início do campeonato. Não sabemos quem vai ser o campeão. Mas já sabemos que o campeão terá poucos méritos técnicos. A não ser que ocorra uma reviravolta, um verdadeiro tsunami futebolístico e algum dos candidatos ao título passe a jogar a bola que até agora não apareceu. Do jeito que vai, o título irá para o menos ruim, seja ele quem for.

Mesmo o torcedor daquele que já foi chamado o “time da moda”, o Palmeiras, deveria botar a mão na consciência e ver como o Palestra anda jogando. Mesmo na vitória contra o Santos, na Vila, por 3 a 1, contou, é claro, com Diego Souza inspirado, mas também se deparou com a defesa do Santos, que é uma gracinha, como dizia a Hebe, a zaga dos sonhos de qualquer atacante. O Palmeiras deu-se mal contra o Avaí e, agora, foi atropelado nos Aflitos. Isso lá é sequência para um virtual campeão? Podem dizer que o time estava muito desfalcado, o que é certo. Ainda assim, não se desculpa.

Mesmo na parte mediana da tabela essa indecisão sobressai. Santos e Vitória em tese teriam um duelo interessante no Pacaembu, pois se algum deles ganhasse poderia encostar no G-4. No entanto, o Vitória veio com uma proposta retranqueira e o Santos, para variar, não conseguiu transformar em gol as oportunidades que criou. O resultado, um medíocre 0 a 0, não serve a nenhum dos dois.

De modo que continua tudo em aberto, e até mesmo no andar inferior desse condomínio, pois os “rebaixáveis” começaram a se mexer. Desse modo, já não é tão certo como parecia que o Fluminense e Náutico eram cartas fora do baralho. Mesmo o já dado como moribundo Sport conseguiu arrancar um ponto diante do Goiás no Serra Dourada. Não sei se escaparão, mas pelo menos não deixaram de brigar e, como se diz lá no Sul, não está morto quem peleia.

Tango Feroz

Conheci há pouco o simpático advogado argentino Mario Vaisman. Comentando o próximo compromisso da seleção do seu país, Mario disse: “Vocês podem se surpreender, mas acreditem que a rivalidade entre argentinos e uruguaios é bem maior que a rivalidade entre argentinos e brasileiros. Lembrei que uruguaios sustentam que Gardel, o maior ícone argentino, teria nascido em Tucuarembó, em seu território, o que deixa os argentinos doidos. Além disso, são dois povos muito mais parecidos entre si do que com os outros vizinhos, semelhanças que, no caso, beneficiam a rivalidade. Por tudo isso, e pelo que está em jogo – o passaporte para a Copa –, o Uruguai x Argentina de amanhã tem tudo para entrar na história dos grandes confrontos do continente. Uma guerra no Plata, espera-se que apenas entre as quatro linhas do venerando Estádio Centenário

(Coluna Boleiros, 13/10/09)

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