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O bem que o cinema pode fazer: Waldick Soriano

Luiz Zanin Oricchio

04 de setembro de 2008 | 14h55

VENEZA – Num momento de desocupação (o filme que eu ia ver foi cancelado), aproveitei para dar uma olhada nas notícias do Brasil e soube da morte de Waldick Soriano, que agora, morto, chamam de cantor romântico, mas vivo era definido como cantor brega. E, mais do que isso, o rei da breguice.

Eu também não tenho nada a ver com a música de Waldick, pelo amor de Deus. Acontece que a bela Patricia Pillar fez um documentário sobre Waldick, chamado, se não me engano, Waldick – Junto ao Meu Coração, ou qualquer coisa assim.

Pois bem, é um ótimo filme. Pega Waldick já doente, num momento em que, se vê (imagens são implacáveis), que ele teria pouco tempo de vida. Acontece que Patricia registra tudo – da carreira conturbada aos comentários machistas – com infinita delicadeza. E dá a Waldick um perfil humano de que antes não suspeitávamos.

Ele teve muita sorte de ser filmado por alguém como Patricia Pillar. E se você está se perguntando por que diabos uma moça fina e gentil, além de talentosa, foi se interessar pelo personagem, bem, a dúvida também é minha.

Acontece que o filme é tão bom que a própria visão que eu tinha de Waldick mudou. O que não quer dizer que eu vá agora colocar o repertório dele no meu IPod. Nada disso. Mas há no filme um melancolia da finitude, uma agudeza (gentil, mais uma vez) no registro da curva descendente de qualquer vida que me comoveram muito.

Lembrei dessas sensações agora, ao saber da morte de Waldick Soriano.

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