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O banheiro do papa

Luiz Zanin Oricchio

14 de março de 2008 | 21h52

Estreou nesta sexta um “pequeno-grande” filme que recomendo a todos. O título parece indicar apenas uma boa piada: O Banheiro do Papa, de Enrique Fernández e Cézar Charlone. Só que anedota transforma-se em registro humanista da cidade uruguaia de Melo, próxima da fronteira brasileira.

O papa João Paulo II vai passar por lá e os moradores pensam em faturar com a visita. A idéia de construir um banheiro para os visitantes, e lucrar com isso, é de um dos moradores, que sobrevive como sacoleiro trazendo mercadorias do Brasil para o Uruguai. Parece (mas não é) um filme do neo-realismo italiano, com seus personagens populares, e seus dramas que se resumem a um único: como encontrar um meio de sobreviver diante da carência de oportunidades?

A trama ínfima, no fundo, apenas se justifica como maneira de mostrar as pessoas, seus rostos, suas maneiras de conviver, de amar e mesmo de se hostilizar. Expressa, enfim, o jeito como o cineasta “vê” seus semelhantes e isso determina tudo, se ele põe a sua assinatura no filme. A maneira como enquadra, como fotografa, o tempo que os deixa em cena, o que dizem e como dizem…

Charlone ama seus personagens, os compreende e se coloca em sintonia com eles. No mesmo nível. Não os vê de cima, como insetos ou marionetes sem vida própria. Isso faz toda a diferença.

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