O “Avatar” de Shyamalan
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O “Avatar” de Shyamalan

Luiz Zanin Oricchio

20 de agosto de 2010 | 10h02

THE LAST AIRBENDER

M. Night Shyamalan tinha intenção de chamar seu novo filme de Avatar quando foi surpreendido pelo lançamento – e extraordinário sucesso – da saga em 3D de James Cameron. Mudou para O Último Mestre do Ar que, convenhamos, não tem a mesma força. Mas também não precisava tanto para nomear essa aventura de traços míticos que, mesmo sendo também em 3D, parece muito meia boca para merecer título mais pomposo. Para o que é, já basta esse que encontraram.

O Avatar de Night Shyamalan é um garoto cheio de poder, que teria controle sobre as forças dos quatro elementos que compõem o mundo – ar, água, terra e fogo. Cada um dos povos domina um dos elementos. Só Avatar domina os quatro. Seria uma força de unificação, num mundo dividido.

Uma leitura metafórica passa por aí: é preciso uma força superior a todas as outras (uma espécie de polícia do mundo) para que cada qual não se perca na exuberância de sua própria força particular.

No mundo de Night, claro, a força do mal, a mais descontrolada, é a do fogo. Seriam os guerreiros, por natureza. As mais benignas, as do ar. E estas, na figura de dois personagens, fornecerão ajuda ao garoto Avatar. Sim, porque, na história, ele foi insuficientemente treinado e portanto não desenvolveu todos os seus poderes.

Nesse ambiente mitológico, Night usa e abusa dos efeitos especiais, embora pouca ênfase se dê ao 3D, propriamente dito. O resto são efeitos digitais que, pela repetição acabam perdendo eficiência. O mesmo se pode dizer das artes marciais e suas coreografias, que acabam cansando. Quem viu um luta, viu todas. Nem se deveria perder tempo em comentar as ideias que estariam por trás da história. Não existem. Ou são infantis demais, sem querer sê-lo.

(Caderno 2, 20/8/10)

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