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O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias vai a Berlim

Luiz Zanin Oricchio

22 Janeiro 2007 | 19h06

Acabo de saber que o filme de Cao Hamburguer está na mostra competitiva do Festival de Berlim, que começa no mês que vem. Boa notícia, mesmo porque Berlim costuma dar sorte ao cinema brasileiro. Basta lembrar que foi lá que Central do Brasil, de Walter Salles, ganhou o Urso de Ouro em 1998, e mais o prêmio de atriz para Fernanda Montenegro. Difícil dizer se tem chances, mas eu arriscaria que sim. A trama é humana sem ser piegas, passa por uma situação política (a ditadura brasileira) e faz uma leitura bastante interessante do relacionamento do indíviduo com a História. No caso, através de um personagem infantil (isso às vezes ajuda), que vê seus pais, militantes de esquerda, desaparecerem às vésperas de uma Copa do Mundo – a de 1970, no México. Um trunfo adicional: em minha opinião, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias é o filme brasileiro ficcional que mais bem interpreta a significação política do futebol. Talvez isso diga alguma coisa na Alemanha, pátria do recente O Milagre de Berna, sobre a vitória da seleção alemã sobre a superfavorita Hungria de Puskas, em 1954. A história se passa no bairro do Bom Retiro, predominantemente judeu nos anos 60 e 70, mas acima de tudo multicultural. Também esse aspecto pode ajudar muito o filme. Afinal, festivais de cinema costumam ser espaços de tolerância, mesmo quando esse não é o ambiente dominante em seus países-sede.