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O “Amuleto” de Bolaño

Luiz Zanin Oricchio

16 de janeiro de 2009 | 13h09

Li também Amuleto, o mais recente Bolaño lançado no País. A cada vez que leio um texto desse chileno, morto prematuramente com 50 anos, fico surpreso com sua capacidade narrativa. Nesse livro, ele se refere a um caso real – o de uma mulher que se escondeu no banheiro durante a invasão da polícia à Universidade do México em 1968. Lá permaneceu durante umas três semanas e chegou a ser a única “resistente” a escapar da invasão policial. O romance é formado pela fabulação dessa personagem – Auxilio Lacouture, que se considera “mãe de todos os poetas do México”. Prosa poética da melhor qualidade, um jorro narrativo, que retoma, nesse romance, um dos relatos do oceânico Detetives Selvagens, para muitos o melhor livro de Bolaño. Trouxe comigo a obra póstuma de Bolaño, 2666, um catatau de mais de mil páginas. Mas ainda não consegui iniciar. Fui deixando para o fim, porque achei que se começasse por ele, iria me absorver de tal forma que não sobraria tempo para mais nada. A tradução brasileira deve ser lançada em 2010. Até lá, vá se divertindo com o que já existe de Bolaño por aqui – Noturno Chileno, Os Detetives Selvagens, Pista de Gelo e o livro de contos Putas Assassinas. Bolaño é o máximo. Parece que até os americanos o descobriram. E, claro, depois que os americanos o descobriram, os babacas colonizados de todas as latitudes começaram também a prestar atenção a ele. Chegaram atrasados. Para variar.

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