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Números da Ancine – copo meio cheio ou meio vazio?

Luiz Zanin Oricchio

02 de fevereiro de 2012 | 09h43

Como em toda análise de números, podemos concluir que o copo está meio cheio ou meio vazio, dependendo do ângulo pelo qual se olha e da maneira pela qual se analisa.

No primeiro caso, cabe registrar que o número de ingressos aumentou muito de 2010 para 2011, e tem aumentado progressivamente de ano a ano, o que quer dizer que o negócio cinema melhorou. Boa notícia para os donos de salas, a ser atribuída, por certo, à melhoria da renda média do brasileiro, à entrada da classe C no circuito consumidor, etc. Mais gente tem grana para gastar com o lazer e parte desse dinheiro vai para o cinema.

No que toca ao cinema brasileiro, comemora-se o fato de sete filmes terem quebrado a barreira do milhão de espectadores. 2011 teria então escapado à sina de ter um ou dois blockbusters nacionais a puxar a fila e o resto da produção a vegetar em números desprezíveis. Certo.

Mas, olhando pelo lado vazio do copo, o número de ingressos caiu 30% em relação ao exercício anterior…justamente porque a produção de 2011 não dispunha desses blockbusters de 2010, o espírita Nosso Lar e, em especial, Tropa de Elite 2, só ele responsável pela venda de 11 milhões de ingressos. Comemora-se também o fato de termos chegado a 98 lançamentos em 2012, esquecendo-se de que boa parte desses filmes teve desempenho abaixo de pífio na bilheteria. Foram vistos pela família e círculo de amigos do realizador, se tanto.

Melhor então apurar a enumeração de dados pela análise de outras fontes. Olhando-se o repertório de filmes brasileiros lançados em 2011, vê-se uma quantidade razoável de títulos interessantes e dignos. Por outro lado, sobressaem na bilheteria quase só as comédias grosseiras e com elenco televisivo como Cilada.com e De Pernas Pro Ar. Dá para comemorar um fato desses? Filmes valiosos como Trabalhar Cansa e Riscado atraíram menos de 8 mil espectadores cada. Segundo dados do boletim Filme B, cerca de 20 longas-metragens tiveram menos de mil (mil!) espectadores. Os diretores se acham gênios e seus amigos estão de acordo. Só esqueceram de avisar o público. De outras onze produções nada se sabe pois as distribuidoras sequer informaram seus números.

O lado vazio do copo é alarmante. (Luiz Zanin)

 

 Abaixo, o informe da Ancine

 

 

Informe Anual da ANCINE mostra que público e renda cresceram em 2011

 

Sete lançamentos nacionais superaram a marca de 1 milhão de espectadores

 

 

Os números finais das bilheterias dos cinemas em 2011 confirmaram a tendência de alta verificada desde o início do ano no mercado brasileiro. O número total de ingressos vendidos chegou a 143,9 milhões, e a renda bruta nas bilheterias dos cinemas alcançou o valor de R$ 1,44 bilhão, estabelecendo novos recordes e colocando o Brasil entre os mercados cinematográficos mais importantes do mundo. Esses e outros dados integram o Informe Anual de Acompanhamento de Mercado de 2011, divulgado nesta segunda-feira pela ANCINE.

 

A bilheteria dos filmes brasileiros, com quase 18 milhões de ingressos vendidos e mais de R$ 163 milhões de renda bruta, ficou entre as três melhores dos dez últimos anos, em números absolutos.

 

“O número de filmes de longa-metragem brasileiros lançados, 99 no total, foi o maior dos últimos 10 anos”, sublinha o diretor-presidente da ANCINE, Manoel Rangel. “Também vale destacar que sete filmes brasileiros venderam mais de 1 milhão de ingressos, o que indica uma concentração menor de público em poucos títulos nacionais.”

 

O ano de 2011 também rendeu recordes para os filmes estrangeiros exibidos no Brasil. A renda bruta de bilheteria dos filmes estrangeiros foi de R$ 1,27 bilhão, tendo dobrado de valor em cinco anos. Isso reflete um crescimento do número de ingressos vendidos de cerca de 60% e um aumento do preço médio dos ingressos de 30%, no mesmo intervalo.

 

Em relação a 2010, a queda da bilheteria dos filmes brasileiros em cerca de 30%, tanto em termos de ingressos vendidos como em renda bruta, é resultado da ausência, em 2011, de megassucessos de bilheteria comparáveis a ‘Tropa de Elite 2’ ou ‘Nosso Lar’, maiores responsáveis pelos excelentes resultados no ano anterior. A participação dos filmes brasileiros no mercado de exibição em salas (market share) em 2011 ficou em 12,4%.

 

Três filmes brasileiros ficaram entre as 20 maiores bilheterias do ano: ‘De Pernas pro Ar’,  ‘Cilada.com’ e ‘Bruna Surfistinha’. Também se destacaram ‘Assalto ao Banco Central’, ‘O Palhaço’, ‘O Homem do Futuro’ e ‘Qualquer Gato Vira-Lata’, todos com resultados de público acima de um milhão de ingressos.

 

As distribuidoras brasileiras independentes mantiveram a sua tendência de crescimento, tendo assegurado uma participação de mercado de 27,5% no total de filmes exibidos e de 69,0% na exibição de filmes brasileiros.

 

O Preço Médio do Ingresso (PMI) foi de R$ 9,99, sendo que os filmes brasileiros apresentaram PMI de R$ 9,14 e os filmes estrangeiros apresentaram PMI de R$ 10,11. A diferença se explica pelo ingresso mais caro cobrado nas salas 3D, onde predominam lançamentos estrangeiros.

 

O Informe Anual consolida assim os dados de mercado no período de 31 de dezembro de 2010 a 5 de janeiro de 2012.

 

 

 

 

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