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Noites de Tormenta: Amor na Meia-Idade

Luiz Zanin Oricchio

03 de outubro de 2008 | 13h56

Richard Gere é Paul Flanners, médico que perde uma paciente em cirurgia. Quer dizer, a mulher morre na mesa de operação. Isso ficamos sabendo depois. No início do filme, ele vai até uma pousada paradisíaca, com pilotis sobre o mar, e lá conhece Adrianne (Diane Lane), que toma conta do lugar para a amiga, em férias em Miami. Gere faz o tipo atormentado, o que não é novidade. Adrienne também não vai lá muito bem. Está separada do marido, que andou pulando a cerca, e agora quer perdão. Tem dois filhos – um, introspectivo e outra, uma adolescente problemática e agressiva, pleonasmos, claro. O lugar, Rodhante, na Carolina do Norte, é lindo e selvagem. Sujeito a furacões. Tudo isso simboliza, é claro, os conflitos, as almas em fúria dos protagonistas. Nem é preciso dizer o que acontecerá de maneira inevitável, porque o leitor não é bobo.

O problema é a maneira convencional como tudo é narrado. Fotografia bonita (do brasileiro Afonso Beato), música muito presente, de maneira a embalar emoções pré-fabricadas. Gere e Lane estão ok, ela melhor do que ele. Há, no subtexto, a questão da culpa. Ele, culpado pela morte de uma paciente, o que é um pesadelo na carreira médica, mas sem qualquer vontade de assumir uma responsabilidade de uma morte que atribui ao acaso. Ela, culpada por tentar refazer a vida quando tem uma família e já está numa idade em que as pessoas arquivam sonhos romântico – se bem que, hoje em dia, as faixas etárias tenham se dilatado muito: a adolescência pode ir até os 30 anos ou mais, e assim por diante. Em todo caso, são duas culpas cruzadas que podem (ou não ) se resolver com apoio mútuo. O problema é o tratamento bastante esquemático dado a todas as questões levantadas pelo filme. Assim, apesar de “bonito” em muitos momentos, é raso, raso.

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