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No Recife

Luiz Zanin Oricchio

23 de abril de 2007 | 09h40

Embarco daqui a pouco para Recife, onde acontece a 11ª edição do Cine PE, o festival da cidade. Quando nasceu, ninguém poderia adivinhar que o então Fest Recife se tornaria um dos mais importantes do calendário nacional. E sabe por que isso ocorreu? Por causa do público. Quando o diretor Alfredo Bertini resolveu tirar o festival do bonito Cine São Luís e levá-lo para o Centro de Convenções Guararapes, pensaram que estivesse louco. Aquele espaço de quase três mil pessoas nunca iria lotar e casa vazia é sempre sinônimo de fracasso. Bem, não só lotou, como o hoje Cine-Teatro Guararapes, próximo de Olinda, abriga o público mais caloroso do País, capaz de aplaudir por dez minutos o então recém-premiado em Berlim Central do Brasil como prestigiar o mais intrincado dos filmes-ensaios de Julio Bressane. Passar o filme para o público de Recife é o objeto de desejo de dez entre dez cineastas brasileiros. Ou nove entre dez, já que alguns fogem dos festivais.

Para este ano, o Cine PE conseguiu um bom número de concorrentes inéditos, que dão sentido a um festival cinematográfico pois ninguém quer ver filme batido. Entre eles, O Senhor dos Castelos, de Marcus Vilar, sobre Ariano Suassuna; Cão sem Dono, de Beto Brant; Não por Acaso, de Philippe Barcinski; Atabaques Nzinga, de Octávio Bezerra; Cinco Frações para uma Quase História, um coletivo dos mineiros da empresa Camisa Listrada; O Mundo em Duas Voltas, de David Schürman; o Côco, a Roda, o Pneu e o Farol, de Mariana Fortes; e Os 12 Trabalhos, de Ricardo Elias, o único que já estreou no circuito comercial. A relação de curtas e vídeos pode ser encontrada no site do festival.

Estarei lá, participando de uma oficina de crítica cinematográfica e comentando a premiação para o Canal Brasil. E, claro, contando para vocês o que rolar na tela do Guararapes.