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No Belas Artes

Luiz Zanin Oricchio

25 de fevereiro de 2011 | 22h08

Estive agora no Cine Belas Artes para ver O Concerto. Sobre o filme eu falo depois. O que me chamou a atenção foi o fato de o cinema estar cheio, vibrante, com muita gente na sala de espera tomando café e conversando à espera do filme que escolheu. Não sei se a ameaça de fechamento influenciou, mas sinto o cinema mais vivo do que nunca. Fui tomar um café e comer um pão de queixo na lanchonete. Enquanto pagava, brinquei com a balconista: “E aí, o cinema vai fechar?” Ela e mais duas colegas que tinham ouvido a pergunta, responderam em coro: “Nãaaao!”. Uma senhora que esperava na fila, entrou na conversa e disse: “Não vamos deixar fechar!”.

Comprei uns DVDs na lojinha que tem lá dentro (dois Fellinis que faltavam na minha coleção) e comentei o caso com o vendedor. Ele também está esperançoso de que se encontre uma solução para o impasse com o proprietário do imóvel.

Fiquei feliz. São raras, nesta cidade e neste tempo, as ocasiões em que nos sentimos parte de uma comunidade. Foi o que experimentei lá no Cine Belas Artes antes de assistir ao meu filme. Alguns querendo salvar seus empregos; outros, torcendo por um lugar que costumam frequentar. De qualquer forma, havia um interesse comum, um bem a salvar, e senti-me parte daquilo tudo.

Antes que os puristas venham me perturbar, vou logo dizendo: é claro que o cinema precisa melhorar tecnicamente. Mas primeiro é preciso salvá-lo. Não sei se vai dar. Mas senti uma disposição pública favorável.

Repito: não é coisa que se sinta todo dia, ainda mais em São Paulo, onde o individualismo só não é maior que a indiferença. É bom sinal.

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