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No balanço de Brasília

Luiz Zanin Oricchio

29 Novembro 2006 | 20h41

Ufa!, consegui chegar em casa depois de atraso no aeroporto e falta de teto (pelo menos foi o que disseram) para descer em São Paulo. Ficamos tolamente sobrevoando o Estado, de Ribeirão Preto à capital, até que o avião recebeu autorização para pouso, e o fez. Bem, cá estou eu de volta, ainda mareado mas em condições de escrever umas maltraçadas.

Gostei muito de algumas coisas deste Festival de Brasília:
1) o nível bom dos longas concorrentes
2) a premiação de Baixio das Bestas, a meu ver a proposta mais original e ousada.
3) Os documentários, todos, inclusive um que encerrou a noite de premiação, hors concours – Hércules 56, nome do avião que levou para fora do País os presos políticos trocados pelo embaixador americano, seqüestrado em 1969. Só não entendi por que ficou de fora da competição, pois é ótimo.
4) O Seminário A crítica da crítica, com as intervenções muito boas de Marcus Mello, Marcelo Coelho e, sobretudo, Ismail Xavier, o nosso mais lúcido analista de cinema. Ao lado de Jean-Claude Bernardet que infelizmente não pôde ir.
5) Alguns filmes que passaram fora da competição, como a raridade O Quinto Poder, de Alberto Pieralise. Mais tarde volto a ele, pois vale um texto.
6) Os debates matinais dos filmes em competição. Em geral, conversas férteis e inteligentes.

De outras, não gostei tanto:

1) O nível não tão bom dos curtas, prejudicados pela “obrigatoriedade” da comissão em selecionar filmes de Brasília para contemporizar com os artistas da cidade.
2) A cerimônia de premiação, chata e longa. Cada premiado em 16 mm fazia questão de chamar a equipe inteirinha para o palco, e os agradecimentos se sucediam de forma interminável.
3) O episódio desagradável em que um diretor peitou um crítico pois este havia escrito de maneira pouco favorável sobre o seu filme. Às vezes descreio da evolução da humanidade. Depois me recupero.
4) A constatação de que a categoria (?), classe (?), corporação (?) dos críticos mostra pouca disposição para discutir seus métodos e formação. Questionar os outros é mole; o problema é discutir a si mesmo. Esse tipo de atitude cheia de soberba limitou o alcance do seminário.
5) A comida do Hotel Nacional, próxima do intragável. Mas o café da manhã se salva.