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Niemeyer

Luiz Zanin Oricchio

15 de dezembro de 2007 | 22h33

Acho que hoje todo brasileiro de bem deve estar contente. Sim, Oscar Niemeyer faz cem anos e, apesar de todas as homenagens, não chega a ser uma unanimidade (mas quem precisa delas?).

Há quem fale mal da funcionalidade da sua arquitetura, que é belíssima. Não tenho gabarito técnico para discutir esse aspecto, mas a leveza e a ousadia de suas obras me parecem extraordinárias. É o que vai ficar, quando as críticas passarem.

Engraçado que Niemeyer foi vivendo, atravessou governos, guerras e revoluções, viu alguns sonhos serem desmentidos pela realidade dos fatos, mas mesmo assim continuou coerente consigo mesmo e olhando para frente. Não se refugiou no passado, como fazem muitos anciãos, alguns com a metade da sua idade.

Claro que genética lhe foi favorável, mas acho que esse otimismo inquebrantável joga sua parte nessa longevidade lúcida. Sabe o valor do sonho e do desejo. Se eu tivesse de selecionar uma frase de Niemeyer, seria esta: “O mais importante é a mulher; o resto é bobagem”. A libido também ajuda a viver.

O homem chega aos cem, trabalhando, desejando, pensando e com projetos para o futuro. Está certíssimo. Devemos colocar na cave e cuidar com carinho mesmo do vinho que não iremos beber, como me ensinou um amigo na França, muitos anos atrás.

Engraçado, nunca consegui pensar em Niemeyer como um homem velho. E não é mesmo. Será jovem até o fim que, esperamos, esteja bem longe. Parabéns. A ele e a nós todos que somos seus contemporâneos.

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