Nick é rei
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Nick é rei

Luiz Zanin Oricchio

16 de novembro de 2011 | 20h30

Qual o fato cultural mais importante de hoje? Não há dúvida: a retrospectiva completa de Nicholas Ray que tem início em São Paulo.

Não é sempre que se tem chance de assistir aos filmes desse observador à contraluz do mito do sonho americano. Jean Tulard usa uma bela expressão: Ray ou o lirismo do home ferido. Seus personagens exibem a falha trágica que o cinema (em especial o de hoje) com tanto zelo procura esconder. Vejam filmes como Amarga Esperança, Juventude Transviada, No Silêncio da Noite, Cinzas que Queimam. Tantas obras-primas que seria ocioso enumerar.

Mesmo no western, entre as várias versões disponíveis sobre o mito, é a sua que mostra um Jesse James fragilizado, atormentado. E o duelo entre mulheres em Johnny Guitar? O clima naquele cabaré improvável, o romance maduro e áspero entre Starling Hayden e Joan Crawford, a rivalidade mortal com Mercedes McCambridge. É um mundo viril, apesar de comandado por mulheres; adulto, sem ilusões, sem um pingo de concessão à pieguice. Trabalhando na indústria, e contornando mil pressões, Ray mantinha a cabeça alta, espinha ereta, pensava como adulto e dirigia-se a seus iguais.

Há também na mostra o Nicholas Ray terminal, o de Nick’s Movie, terrível e comovida homenagem de Wim Wenders ao amigo moribundo de câncer. Um filme às vezes difícil de suportar, porém comovente como poucos. Nick era fera.

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