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Neymar em Brasília

Luiz Zanin Oricchio

11 de abril de 2012 | 17h24

Neymar foi ao Congresso Federal e provocou o maior tititi. Os parlamentares comportaram-se como tietes. Bateram bola com o jogador e pediram autógrafos. Alguns pediram assinatura até nas maletas de couro.

Todo mundo se escandalizou. Ouvi insinuações de falta de decoro ou coisa assim.

Ora, o primeiro dever de um jornalista é não ser ingênuo. Sei bem que em ano eleitoral é sempre conveniente posar ao lado de algum famoso. Pode ter havido alguma coisa nesse sentido.

Por outro lado, Neymar é mesmo um ídolo. Conquistou essa condição. Onde aparece, é notado. Todos os olhares se voltam para ele. Todo mundo quer se aproximar. Tocá-lo. Ganhar um suvenir. É coisa do ídolo.

Pelé tem isso. Ali, idem. Fidel Castro tinha. Me lembro da presença do Comandante no Teatro Karl Marx em Havana, anos atrás. Quando ele surgiu era impossível desviar o olhar para o outro lado. É o magnetismo do olhar.

Portanto, se tietagem houve, ou ridículo, ou oportunismo, tudo bem. Fica o registro.

Mas fica também a alegria da presença de um ídolo do futebol ainda entre nós. Alguém capaz de despertar tanta paixão e atenção. Ou preferiam que já estivesse na Europa?

E há também a má vontade com os políticos. Eu também tenho. Preferia que fossem de outro jeito, mais honestos, mais preparados, mais trabalhadores.

Acontece que não nasceram lá. Alguém os colocou em seus postos. Seus eleitores.

O Congresso pode ser péssimo. Prefiro-o aberto, livre e imperfeito, como é agora, do que fechado ou cerceado, como na época da ditadura.

 

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