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Nelson Cavaquinho, meu personagem favorito

Luiz Zanin Oricchio

09 de março de 2011 | 22h57

João Carlos Martins deu um título à Vai-Vai. Roberto Carlos deu um título à Beija-Flor. Prevaleceram as personalidades, para além dos méritos, digamos, estéticos, das duas escolas. Quem resiste à história do Rei, a partir da sua infância capixaba? Quem resiste à história de superação de um pianista que perdeu o uso das mãos?

Os eternos críticos disseram (com certa dose de razão) que páginas inteiras das biografias dos homenageados foram limadas tanto na Sapucaí quanto no sambódromo paulistano.

Certo, mas quem disse que escolas de samba são obrigadas a apresentar as verdades factuais dos seus homenageados? Na verdade, trabalham com perfis, destacando o lado mais favorável de cada um.

Personagem por personagem, o meu favorito não era nem o rei da jovem guarda nem o maestro especialista em Bach. O meu personagem favorito deste ano seria Nelson Cavaquinho, o homenageado da Mangueira.

Nelson não era exatamente um tipo exemplar. Bebia, fumava, prevaricava, era boêmio inveterado. Suas histórias de bebedeiras são antológicas, como aquela em que, militar, parou no bar para beber e esqueceu de amarrar o cavalo, que voltou sozinho para o quartel. O cavaleiro apareceu dias depois, em não muito bom estado.

Mas, anedotas à parte, Nelson era um compositor genial. Um autêntico gênio do povo brasileiro.

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