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Não, senhores, a regra não é clara

Luiz Zanin Oricchio

10 de junho de 2008 | 09h34

Ao contrário do que diz Arnaldo César Coelho, a regra não é clara. E, por não ser clara, além de mal redigida, presta-se a uma infinidade de interpretações. Lembro isso a propósito do lance polêmico da rodada, a falta marcada dentro da área do Vasco e que deu a vitória por 1 a 0 ao Cruzeiro. Foi assim: Wagner deu um chute fraquinho e o goleiro vascaíno, Tiago, abafou a bola com as mãos e deixou-a no chão. Quando foi acossado por um jogador do Cruzeiro, pegou a bola de novo. O juiz Wilson Souza de Mendonça marcou tiro livre indireto contra o Vasco, que redundou no gol de Charles para o Cruzeiro.

O lance dividiu opiniões. O comentarista e ex-juiz Renato Marsiglia disse que foi erro do árbitro. Já o presidente da comissão de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa, concordou com a marcação. O Caderno de Esportes de O Globo deu a manchete: “Juiz 1 x 0 Vasco”. Já outro analista do apito, o também ex-juiz José Roberto Wright, deu razão ao colega Wilson Souza de Mendonça. O próprio quarto árbitro da partida disse que a falta tinha sido marcada porque Tiago havia retido a bola por mais de seis segundos, o que não ocorreu.

Fui ao livrinho da Fifa. A regra 12 lista quatro situações que devem ser punidas com tiro livre indireto dentro da área. A segunda delas diz o seguinte: “Voltar a tocar a bola com as mãos depois de havê-la posto em jogo e sem que outro jogador a tenha tocado”. Foi isso que aconteceu? Tiago voltou a colocar a bola em jogo? Ou fez uma defesa em dois tempos, como dizem os narradores? No primeiro caso, o juiz estaria certo; no segundo, errado. Como o chute foi fraquinho, fico com a interpretação do árbitro.

Agora, tem uma coisa: os goleiros vivem praticando esse tipo de lance. E ninguém apita nada. Assim como não se dá nada no já tradicional agarra-agarra dentro da área por ocasião dos escanteios. Todo juiz adverte que vai marcar, mas acaba fechando os olhos. E quando um deles dá um pênalti nessa situação é um deus-nos-acuda. Enfim, também no futebol há leis que pegam e leis que não pegam. De vez em quando algum juiz decide ser xiita. E então cria-se a polêmica, porque o que faz a lei é o costume da sua aplicação e não apenas o texto estrito que está no código. Ou não seria assim? O fato é que as leis do futebol estão sempre sujeitas a controvérsias e divergências. Ainda mais porque, além de ambíguas, são aplicadas com critérios diferentes.

O JOGÃO

Deixando as regras de lado e entrando em campo: o jogão desta semana será amanhã, Sport x Corinthians, na Ilha do Retiro. Poupando-se para a decisão da Copa do Brasil, os dois escalaram times mistos no final de semana. E ambos venceram: o Corinthians goleou o Grêmio Barueri, e o Sport detonou o em tese poderoso Palmeiras de Vanderlei Luxemburgo. Ambos chegam com moral à decisão. O Corinthians construiu boa vantagem, mas acho que tudo continua em aberto. Estive uma vez na Ilha do Retiro e sei que a pressão lá é forte – foi quando o Sport mandou para o espaço o mesmo Palmeiras, então pela Copa do Brasil. Ainda acho o Corinthians favorito para ganhar o título. Mas terá de ralar. E, provavelmente, Mano Menezes está certo. Se quiser botar a mão na taça, o Timão terá de fazer pelo menos um gol no adversário. Se cair na tentação de administrar a vantagem pode dar com os burros n’água. Como diz Muricy, a bola pune.

(Coluna Boleiros, 10/6/08)

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