‘Não Aceitamos Devoluções’: a fórmula das lágrimas + humor
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‘Não Aceitamos Devoluções’: a fórmula das lágrimas + humor

Luiz Zanin Oricchio

06 de julho de 2014 | 10h24

Não Aceitamos Devoluções tenta adicionar humor ao cinema de lágrimas tradicional no México, a pátria (ou uma delas) do melodrama. Pelo visto a fórmula risos + choro ainda dá, tanto assim que atraiu 18 milhões de espectadores no México e mais 5 milhões nos Estados Unidos.

A historia é um garanhão de Acapulco, Valentim (Eugenio Derbez, que também dirige o filme). Ele não deixa passar em branco sequer uma turista que se atreva a bronzear-se no balneário. Isso até que uma de suas ex-namoradas, norte-americana, regressa para lhe trazer um “presente” – um bebê, a filha de Valentim. E a moça some no mundo.

Em seguida, vemos o desajeitado Valentim, renunciando um pouco aos seus dotes de dom Juan,para botar o pé na estrada e reconduzir a criança à sua mãe, na Califórnia.

Há alguns clichês aí, como o do pai que se toma de amores pela filha a princípio indesejada, em especial quando ela cresce um pouco e se transforma numa menina adorável. A trama se embebe de outros ingredientes, tais como a relação crítica que sempre existe entre México e Estados Unidos, com sua fronteira imensa e vigiada, os imigrantes que se contam aos milhões, os preconceitos, etc. Não por acaso, Valentim será um dublê da indústria cinematográfica, que se recusa a pronunciar uma única palavra em inglês. Já a filha, Maggie (Loreto Peralta), será perfeitamente bilíngue, fluente em inglês e espanhol, o que não deixa de ser um comentário em subtexto sobre o relacionamento ideal entre os dois países.

Muito bem filmado, Não Aceitamos Devoluções vai deixando claro seu propósito de conquistar corações e mentes à força de emoção. Puxa a corda do melodrama de um lado e, quando a tensão é demasiada, afrouxa com humor pelo outro. Derrapa aqui e ali, mas o carisma de Derbez, ótimo cômico, salva muita coisa. Outro tanto fica por conta de Loreto, uma dessas crianças carismáticas em nome das quais tudo se perdoa. Ou quase tudo, digamos. No roteiro há ainda uma surpresa, uma virada da história que a torna ainda mais lacrimogênea.

Não é filme para os mais exigentes. Mas é o que se poderia chamar de cinema popular de qualidade. Recicla uma velha fórmula e lhe dá vestuário de modernidade. A estrutura é a do cinema dos anos 40 e 50.

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