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Na China pode?

Luiz Zanin Oricchio

12 de março de 2008 | 12h19

Acabo de ler que a atriz Tang Wei foi banida da mídia chinesa por causa das cenas eróticas que protagoniza, com Tony Leung, no filme Lust, Caution, de Ang Lee. Vi o filme no Festival de Veneza do ano passado, quando, aliás, ele ganhou o Leão de Ouro. As cenas de fato são tórridas e o filme é ótimo. Além das imagens de cama, há uma outra polêmica latente, pois Leung interpreta um colaboracionista na época em que o Japão dominava a China. Tang Wei faz parte da resistência e usa o sexo como meio para chegar a Leung. Mas, como a sexualidade tem seus caminhos – que nem sempre seguem os da lógica – ela acaba vendo em Leung algo mais do que um inimigo político a ser abatido. Um belo e dilacerante filme, repito, e que ainda não estreou por aqui.

Mas o motivo do post é outro. Tang Wei foi banida da mídia, a censura come solta na China e até a internet é vigiada. Se não me engano, o país também é campeão na aplicação da pena de morte. Vejo, no entanto, uma grande tolerância da “intelligentsia”, ou melhor, da burritsia cabocla em relação a essas violações de direitos humanos. Ela, a burritisia, sempre tão atenta a tudo o que acontece em Cuba, essa ilhota de 11 milhões de habitantes e PIB inferior ao do Estado da Bahia, parece de todo desinteressada pela realidade interna do modelo chinês.

Essa timidez será por causa da proximidade da Olimpíada? Ou deve-se à percepção da importância crescente da China na economia mundial?

Em todo caso, bater em pequeno é sempre mais fácil, não é?

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