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Na alegria e na tristeza

Luiz Zanin Oricchio

30 de setembro de 2008 | 09h25

Parto do seguinte princípio: temos o dever de acompanhar o futebol brasileiro. Na alegria ou na tristeza, na pobreza ou na abastança, na saúde ou na doença. Mesmo assim, convenhamos: assistir a Náutico e Palmeiras e, em seguida, sem refresco, a Santos e Portuguesa, é para abalar a fé de qualquer cristão. Alguma coisa como ler dois livros do Paulo Coelho, um atrás do outro, sem trégua.

Para ser franco, o que se poderia esperar de diferente de dois times que estão lutando contra o rebaixamento? Santos e Portuguesa estiveram à altura de suas pretensões para este ano. Um deserto de criatividade no meio de campo, ataques hesitantes, defesas frágeis. Dois gols, um para cada lado, produtos de falhas infantis do sistema defensivo adversário. Os gols foram “coisa de futebol juvenil”, como bem definiu Estevam Soares, técnico da Lusa. A exceção à mediocridade geral fica por conta de Kléber Pereira, coitado, que luta na frente, solitário, para tirar o seu clube da posição indigesta. A defesa adversária dormiu, mas como Kléber não tem nada a ver com isso, marcou um belo gol. Sem contar o voleio que parou nas mãos do goleiro da Lusa, André Luís. E foi o que se viu na Vila. Pelo jeito, Santos e Portuguesa vão manter suas torcidas em suspenso até as rodadas finais. Não dizem que é isso que se procura no futebol, emoção?

Já com o Palmeiras, a conversa tem de mudar de figura. É o time que mais investiu, tem o treinador mais badalado. Favorito à conquista do título, segundo opinião geral. Com tudo isso, não poderia apresentar um futebol melhorzinho? Ok, não sejamos ranhetas. Palmeiras e Cruzeiro, os dois ex-Palestras, são os que apresentam o futebol mais agradável de se ver hoje em dia. Aqui no Brasil, pelo menos. Mas, neste domingo, francamente não estavam inspirados, para dizer o mínimo.

Pior ainda para o Cruzeiro, que perdeu para o São Paulo e mostrou por que, apesar de jogar bonito, não parece lá muito confiável. Quando tudo parecia caminhar para mais um monótono 0 a 0 no Morumbi, o Cruzeiro perdeu o jogo para o São Paulo em dois lances de bola parada. Como o gol vale a mesma coisa – de bola parada ou rolando – o São Paulo também não tem nada a ver com isso. E qual o resultado? Quando todo mundo já o considerava fora do páreo, eis que o tricolor paulista reaparece na ponta novamente. Não conheço nenhum comentarista sério que não inclua hoje o São Paulo entre os que podem ganhar o título brasileiro. Eu, que não gosto de dar palpites (porque, sem trocadilho, acho que tudo é chute), se tivesse de apostar dinheiro, preferia colocar os meus suados tostões no tricolor paulista e não no gaúcho. Mas, concordo com a maioria – quem tem mais jeito de campeão é o Palmeiras mesmo.

Isso porque, em meio à penúria geral, o Palmeiras parece mesmo o mais consistente. E porque, de alguma forma, o outro time que poderia rivalizar com o Palmeiras, o Internacional, acabou ficando um pouco atrasado no briga pelo título e deve lutar apenas por uma vaga na Libertadores. Mas, pelo jeito, o Inter está preparando um timaço para o ano que vem – o Grêmio que o diga, depois da lambada de 4 a 1 que levou. O problema é que o planejamento do futebol brasileiro não consegue ir além de seis meses.

E quem apostaria que o Goiás faria a melhor campanha do segundo turno, como vem acontecendo? Com um time sem estrelas, vem atropelando quem encontra pela frente – na semana passada foi o Santos e nesta, o Vitória. Do jeito que a coisa anda, o Goiás pode ser um modelo para o atual futebol brasileiro. Digo isso sem ironia. Mas com alguma tristeza.

(Coluna Boleiros, 30/9/08)

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