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Mudar para sobreviver

Luiz Zanin Oricchio

24 de janeiro de 2012 | 09h52

Amigos, por que nenhum campeonato, torneio ou reles bate-bola de ponta de esquina vê-se obrigado a justificar sua existência todo santo ano como acontece com o Paulistão? É sempre a mesma coisa. No início da competição, ou mesmo antes, durante e depois, gastamos nossa energia para discutir se as disputas estaduais deveriam ainda existir ou estariam ultrapassadas pela nova ordem do futebol, a globalização do esporte, o novo modelo do negócio, etc.

Ora, digo eu, a discussão é acadêmica. Os Estaduais continuarão a existir enquanto forem amados. Simples assim. Quando o público decidir que não gosta mais deles, adeus. Os estádios estarão vazios, a TV não terá interesse em transmitir e o oxigênio da grana não alimentará mais esse tipo de disputa. Enquanto eles mobilizarem a emoção do torcedor, estarão por aí, de um jeito ou de outro. E nesse “de um jeito ou de outro” é que está toda a questão.

Para começar pelo começo, como se diz no botequim: os campeonatos estaduais têm longa tradição a lhes emprestar lastro. No caso do Campeonato Paulista, foi disputado pela primeira vez em 1902! Gente de várias gerações se iniciou na paixão do futebol pelo Paulistão. Durante décadas e décadas foi o título mais cobiçado pelos paulistas. Quem o vencia tinha o ano ganho, embora já existissem a Taça Brasil, o Torneio Rio-São Paulo, a Libertadores.

Enfim, os Estaduais e, no nosso caso, o Campeonato Paulista, estão muito sedimentados no imaginário e no coração dos torcedores para serem extintos de uma hora para outra.

O que não significa que não devessem mudar para acompanhar os novos tempos. Essas mudanças não os descaracterizariam. Pelo contrário: seriam garantia de sua sobrevivência. Quem dirige o nosso futebol deveria aprender com o Tancredi, personagem do romance O Leopardo, de Giuseppe Tommasi di Lampedusa: “Para que as coisas permaneçam iguais… é preciso que tudo mude.” Quer dizer, quando a História caminha, se você quiser manter um determinado status quo precisa promover reformas que incorporem bandeiras da oposição. Caso contrário, tudo vai mudar à sua revelia, e de forma incontrolada.

Isso para dizer que, no atulhado calendário mundial do futebol, não se justifica uma disputa regional ocupar quatro meses do ano. Para sobreviver sem traumas, o Paulistão, para ficar nele, deveria submeter-se a um enxugamento radical. Por que não, por exemplo, adotar uma fórmula de grupos, como a da Copa do Mundo, e fazer um campeonato mais sintético, resolvido em pouco mais de um mês? Não seria bacana?

Sim, eu sei que existem interesses contrários a qualquer tipo de alteração, enxugamentos, etc. Mas não é melhor render-se à realidade dos fatos e promover reformas do que assistir a vários clubes grandes usando o campeonato, pelo menos em sua fase inicial, como mera pré-temporada de luxo? É hora de abrir os olhos, para não ser atropelado pelos fatos.

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